domingo, 28 de dezembro de 2008

TRANSIÇÃO

Transição


Mudanças. Ricas e pobres transformações que afligem o ser humano. Pode haver uma impossibilidade em amanhecer transformados em répteis,insetos como o proposto em um livro lido na adolescência. As mudanças. As germinações. Os nascimentos. As mortes. Era o ciclo de vida. Nos jornais acompanhava as notícias de diversas partes do mundo. Muitas notícias, atos científicos, água em Júpiter, pegadas em Marte, chuva no sertão, enzimas que retardam o envelhecimento. Uma etapa no ciclo de vida. Nem todos possuem o dom de transformar a velhice em óbolo. Poucos. Agora recordara sua infância, tenra juventude. Lembrara-se que neste espaço de tempo seu objetivo era: “Felicidade das pessoas que me cercam”. Este era seu problema. Grande problema. Questionava os seus: “Será que sabem o que é felicidade para mim?”. Respirava, expirava. Todos sabem o que é felicidade para seu ego,eu, personalidade... O crescer ,mudança, abismo entre você e os outros. Criaram um nome para isto: adolescência. Ela também pode criar uma úlcera...Demora a cicatrizar, mesmo não sendo diabético. Ela não era,longo tempo para sarar...sarou? não bebeu,não fumou,não gastou dinheiro com futilidades,não praticou sexo casual com qualquer um...recordara-se não tivera companhias boas ou más. Ao contrário acompanhou-se. Ela e ela, em um calabouço medieval com direito a salas de tortura e sem direito a um príncipe encantado. Trancou-se. Perdeu a chave, aliás a esqueceu em qualquer lugar. Sem companheiros,os olhos percorriam a leitura. Adolescer. Palavra estranha,esquisita. Queria um remédio. Um remédio que a fizesse acordar mulher,com 20 talvez,longe da casa dos dez. Atualidade, crianças a cada dia deixam de lado o lúdico infantil,ou estão nas praças da vida vendendo seus corpos,ou vendendo bala no ônibus. Pobres crianças que se transformam sem dor porque não há tempo para pensar nela. Dor. É abrir o jornal. É ver a adultez chegar ruindo tudo, levando sua casca, que a pouco se acostumara a usar. Sem casca,com frio. Já pensou tartaruga sem ela? Seria outro animal. Sem envoltório, você precisa de outro. Caminho oposto ao infantil. Adultez. Adultez. Signo que simboliza um conceito, teoria, pobre quimera. Nascer. Viver.morrer. como um arbusto. Árvores que só pensavam em frutos maduros, que iam embora sem dizer tchau...Porque a mãe já sabia. A reprodução. Os frutos brotavam, amadureciam atingiam a perfeição para o outro,um colhedor na lida,ou um menino sapeca com uma pedra na mão. Seus seios brotavam também, elevaram-se e ficou visível na blusa rosa. Ela tentou disfarçar, no entanto não conseguiu. Nasceram no adolescer, talvez não suculentos, nem adocicados, desenvolveriam-se na fase adulta conforme preceito antigo. Viver, nascer, morrer. Um dia murchariam sem produzir alimento algum,sem produzir prazer. No longo percurso da vida, apenas personagens secundários. A vantagem, eles não pensavam, não doíam. Ás vezes, até que sim, a natureza obrigava-os a curvarem-se a ela. Curvos. Como serão um dia os jovens no futuro. Velhos. Não caquéticos, sujos, tristes. Sua fase de vida romântica passara. Nada de altivez, fantasia, graça. Só o real transitando e afligindo seu ser, rompendo tuas arestas sensíveis e quase completas. Era a transição da vida, Maria.

Naiana p. f 4/7/08.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

ACORDAR CEDO..

Acordar cedo. Andar até o ponto de ônibus. Continuar a rotina. Ir ao trabalho. Muitas pessoas fazem isso pela manhã. No ponto lotado, vejo sandálias de diferentes tipos, sapatos e dentro pés ansiosos esperando o derradeiro transporte que enlouquece antes mesmo de entrar nele. Sim depois de minutos conflitantes, aparece no horizonte o ônibus, vamos lá..respire fundo, digo a mim..a viagem é longa e desconfortável. Neste dia encontro um lugarzinho, onde posso me segurar. Daqui a pouco, meu espaço diminui, é pura sufocação. Eu lá, em pé... Bolsa na mão, rosto suado..mas preciso me acalmar viagem longa... Passam os pontos, olho pela janela a rua,eu vejo mais sapatos, pessoas correndo, bebês. E o ônibus completamente cheio de gente. Meus ombros doem meus pés também. Eu com a bolsa na mão. Agora um chute, acolá uma cotovelada. As cenas iguais, nenhum vermelho diferente..mas de repente acho um, aquele do semáforo, divirto-me contando o tempo dado aos carros cortarem a avenida. Conto. Conto. Abre o sinal, chega um ponto, o mais importante desce metade do povo. Vaga um assento, penso que alivio. Mas, mas não fui esperta! Alguém chega quase me machuca. Senta e eu continuo em pé. O pior é o calor, o melhor quando chove leve, entra um ventinho tão bom. Faltando pouco para meu destino sento, respiro fundo. Cheguei, ao lugar onde arejarei minha mente, relaxarei meu corpo e esquecerei-me da confusão que é andar de ônibus. Oba é a universidade.!

Naiana Freitas. 21/02/08

sábado, 20 de dezembro de 2008

Ela e o navegante

( esta foto é minha tirei no subúrbio de SSa)
Ela e o navegante





Somente ela via aquele homem. Somente ela. Aquele sujeito do gênero masculino, por fora igual a todos os outros: duas pernas, dois braços, de vez em quando barba na cara, pêlos sob a pele do corpo inteiro. Igual a toda espécie humana. O andar calmo, olhos serenos que procuravam também outros olhos que refletissem uma paz branda e suave, olhos como os dela talvez. Ele tinha uns pés grandes, mãos grandes que poderiam em um só movimento percorrer todo o seu corpo, normalmente tão frio, gelado. Mãos que transbordavam de desejo de tocar em uma pele macia. A pele elevava-se em minúsculos montes, arrepiava-se com aqueles sussurros cheios de entusiasmo. Dentro dele encontrava-se um mar não explorado. Ele pouco falava sobre os sentimentos, ou desejos que o envolviam. Pouco. Um breve murmúrio, vez ou outra, ecoava no espaço transformando-se em música em um ritmo frenético, violento e ao mesmo tempo pacificador.Somente ela entendia. Somente ela. Enquanto calado ficava com atenção ouvia o dia-a-dia e as besteiras femininas: dieta, dores, roupas,cores, desejos. Ele por instantes distraía-se daquela conversa e navegava por seu mar interior.E, como uma desculpa secreta, aproximava os seus lábios nos dela gerando uma enorme surpresa. De repente, eles retomavam a conversa a partir de um início velho remetido para um presente constantemente. Além de olhos atentos, cansados, olhos de saudade, que se abriam sugando-a para o mundo dele. Mundo vasto, vivido, experimentado. Ele possuía um imenso baú de manias não reveladas e outras tantas percebidas. Ele e o riso franco, os dentes em perfeita harmonia, voz máscula que em gemidos enchiam-na de prazer. Nele havia um sentimento paternal adormecido, talvez ela o acordara sem uma percepção clara disto. Ele um navegante solitário. Abordo apenas um pequeno espaço para intrometimentos de uma provável alma feminina, uma fresta para a passagem de um pequeno corpo, delgado que soubesse nadar em sua inquieta correnteza. Era um risco afogar-se em suas águas intrínsecas, era um risco afogar-se em amor. Difícil encontrar aquela rota secreta...Somente ela observava aquele navegador e sentia aquele pulso estremecido, aquele corpo quente e abafado. Ele com os seus olhos de saudades procurava um jovem caminho no mar, um caminho que proporcionasse aos dois uma fuga... Fuga para uma terra distante, sem relógios, esperas e convenções. Ele olhando o mar a sua frente, o vento rodopiando feliz em volta daqueles seres. Ela, no entanto, ainda não acordara do sono, da noite tranquila. Deitada inerte respirando desejos saborosos acompanhados de feixes rosas de luz. Somente ela via aquele homem, aquela cena, aquele sentimento. Ele por sua vez, refletia com seus olhos de saudade o amor dentro dele. Somente ela e o navegante. Só para eles ambos existiam.E o  horizonte sempre a procurar.

E o que sou afinal?




E O QUE SOU AFINAL?



Eu sento, abro um livro e um mundo abarco, o mundo é melhor dentro deles. Esqueço as viagens doidas e reais e recrio com a tinta da imaginação o meu mundo perfeito. Filosoficamente contínuo e alucinante. Lá as minhas poucas leituras sobre o mundo estão dispostas em uma pequena estante. Algumas vezes estou firme em frente dela querendo ouvi-la e entendê-la. Mas, meu coração está longe, longe capitando qualquer mensagem secreta que não vejo...I STOP! I SHOUT!! I SPEAK ENGLISH TO WAKE UP...MY BRAIN...WHERE ARE YOU?WHERE ARE YOU HONEY? Respiro letras, eu sofro com letras e vivo por letras...Transformo-me em um corpo que pulsa palavras e para sobreviver envolvo-me nelas. Esqueço de tudo, nunca ponho um ponto final porque meu tempo é contínuo e atemporal ...E o que sou afinal? Um ser que pensa e não quer pensar, um ser que chora com o discurso sem métrica e beleza...Que sutileza dessas letras que impregnam o meu sangue e acabo por expressa-las sem pensar direito...Adoro tê-las, vê-las, manipulá-las...THE WORLD A DAY, CAN BE BETTER THAN NOW...I LOVE ME...I LOVE HIM...I LOVE IT. As letras são iresumiveis, infinitas e a cada combinação novidade. Em cada espaço reinventa-se...A cada oportunidade envolve-se e transforma-se...No contato modificá-se...Não são estanques, estantes ou simplesmente palavras. São pensamentos. Eu também.Naiana Freitas27/09/08