segunda-feira, 13 de julho de 2009

Rubra*

Desde que se vira como gente: mulher. Ela negara o vermelho. Vermelho forte, azedo... Jamais cintilante. Ela Procurava no armário uma roupa vermelha e não encontrava porque esta cor não habitava o seu ser. Ela apenas expelia muitas vezes com dor e nunca alegria, a cor. Poderiam ter perguntado se ela aceitaria o sim. Sim, aceito esta cor para mim. Não perguntaram. A natureza, dizem, escreve certo por linhas tortas e vermelhas no corpo feminino. Não se dobrava a natureza. De repente viu-se dobrada diante dele.Ele ali parado na rua. Ele com o corpo cinza, meio prateado. Ele aproximou-se, abriu a mão com uma flor rubra, puro sangue, cintilante. Ela assustou-se deu um passo para trás. Nunca vira cor igual. Jamais... Assim desejou aquela cor naquela flor ali. Desejou a mão e o corpo inteiro daquele homem ali parado.
Naiana P.de Freitas*27/06/09

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Neologismo -Manuel Bandeira-sem neologismo meu!


Neologismo
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:Teadoro, Teodora.

história em lance...

História em lance
Vi hoje uma mulher nua na rua.
Atravessou pelos carros em câmera lenta, tão lenta, mesmo assim ninguém notou. Ninguém. O que era então? Não Era uma mulher despida?
Na verdade, vi sem olhos de escândalo, os outros também não, porque não viram.
Aquilo era um corpo andante, murcho, sem lances de luz, apagado, triste, só. Somente um corpo na desventura de ser somente isto.
Volto ao corpo, olhando em volta, o sol escaldante de Salvador e aquele corpo ali de pé, ainda vivo. Em relance, rápido de dentro do ônibus aquela cena em lentidão.
O ônibus passou e eu também.
Aquela cena, no entanto, ficou suspensa no tempo.
19/09/07