sábado, 7 de agosto de 2010

sonho, coração e Werther...


Minha mãe contou-me uma história recentemente, para vocês que desejam saber qual é,leiam estas linhas. A história é singela e garantiu a mim uma mistura de sentimentos. Sendo que passei pela inveja, raiva, tristeza e no ponto mais alto melancolia.
A historiazinha é assim, Mãe conheceu um pedreiro, um homem bem simples, que a convidou para ir na casa dele acertar o trabalho que ela pagaria para que ele fizesse. Neste caso, o trabalho do pedreiro seria levantar algumas paredes. Minha mãe consentiu  em ir na tal casa.
Chegando lá, ela conheceu a esposa do sujeito e seus dois pequeninos filhos.Conversou com a mulher, e se espantou por tanta simplicidade, calma e ingenuidade do casal de dois filhos.Se espantou tanto que chegou em casa,com o seguinte comentário: "nunca pensei que havia gente assim na cidade."
Lá na conversa,minha mãe descobriu que a esposa do cara,estava estudando à noite. E que o marido orgulhoso, cuidava dos filhos só para que ela frequentasse o colégio.O pedreiro disse-lhe com um ar triunfante :"...que por ele faria de um tudo pra que sua mulher se formasse.Porque ela tinha um sonho, e que para isso seria necessário estudar....".
Minha mãe curiosa, do jeito que é, perguntou pelo sonho. E a mulher na simplicidade disse-lhe que "sonhava em trabalhar na C&A..." . A história não acabou neste ponto, com certeza, já que sei que minha mãe falou a ela sonhos maiores...Mas  ouvir até este instante basta.
Quando tomei conhecimento desta história, ocorreu-me aquele misto de sensações. Primeiro senti inveja, porque desde que eu lembre de mim como gente, eu sonho em ser "coisa" grande, como astronauta, oficial da marinha etc...Senti inveja da simplicidade do sonho.De um sonho só. Eu que sonhei tantos, sonho-os ainda.Depois, senti raiva de mim.Para que sonhar tanto? E não viver? Querer tanto e não chegar? ou Chegar e sentir que não chegou?. Assim, gritei, sinto raiva de mim porque quero tanto.E o tanto não basta.Porque só vivo para querer.Com tanto questionamento, senti a tristeza. A tristeza de ser consciente de tudo. De saber o que está na frente e atrás das coisas.E saber que meu grau de felicidade está tão extrapolado que a felicidade tornou-se um elemento discursivo difuso, confuso e ilusório.A consciência da ilusão traz a mim, a melancolia.E é está que aflige.Dizem que os escritores melancólicos são mais sucedidos em morte, quem sabe, encontro o auge da produção quando a morte acontecer...
O melhor desta situação toda é que compreendo tudo tão claro, e aprendi a respeitar os sonhos alheios. E neste respeitar, respeito meus sonhos, que são só meus.É no contato com o outro que você descobre o desabafo de Goethe por Werther: ".[...]Ah! o que sei,todos podem saber...Mas este coração é somente meu.".(GOETHE,J.W.Os sofrimentos do jovem Werther,p.99.São Paulo:Abril,2010.

Um comentário:

Obrigada!!!