quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Clarice Lispector por ela mesma.

Transcrevi abaixo, um  trecho de uma carta de Clarice Lispector a uma de suas irmãs. Tal trecho, é singular, é a autora personificada nela mesma, escrevendo sobre o seu labor de escritora. Com adjetivações bastante canônicas, perfeita carta.Espero, ter tempo para transcrever alguns pedacinhos.



"[...]Eu de novo estou junto da máquina e interrompo meu trabalho rude que é tão duro como quebrar pedras,para lhe escrever e repousar. Você me pergunta se eu tenho trabalhado . Não sei se tenho trabalhado: meu trabalho não tem aparecido. Acho que ele consiste na maior parte do tempo em me vencer. Em vencer meu cansaço e minha impotência. Acho que meu trabalho de elaboração é tão exaustivo que eu depois não tenho ímpeto e a força da realização. É um trabalho acima de minhas forças, eu diria, se ao mesmo tempo não visse que o que eu escolho para fazer é a única coisa que posso. Se isso se chama poder.”





LISPECTOR,Clarice. Minhas queridas.Rio de janeiro:Rocco,2007.p.127.


Naiana F. 30/09/2010

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