quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Talvez...

Talvez...

Talvez você não saiba.
E eu saiba muito bem.
Talvez você sim,queira. E eu não.
Talvez você dê para este fim. E eu não.
Talvez eu saiba,queira,permita para você.
Talvez,
Talvez,
Possamos fazer a troca...

Naiana F. 10/09/2010

sábado, 16 de outubro de 2010

o discurso de origem falocêntrico na sociedade brasileira...

Sendo quem sou, preciso eleger uma mulher. É tão nítido o discurso de origem falocêntrico na sociedade brasileira. Que dá nojo. Eles querem provar que são mais,e nós somos. Esta discussão está muito além deste disse-me-disse, eu sou mulher e ele homem. Até governo de união irá existir...imagine se fosse de desunião? quanto ao mal pior, Marina silva, ao que parece se pôs neutra. se existe neutralidade, preferiu calar. Se falasse também arruinaria o discurso que construiu em torno dela. Acho que vou fazer campanha contra poder falocêntrico de burguês(termo tão desapropriado,já que é um pobrezinho).

Naiana F.
16/10/2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Escrever...por Lispector

Às vezes, tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que, ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que, muitas vezes, fico consciente de coisas, das quais,sendo inconsciente, eu antes não sabia que sabia.

Clarice Lispector, “Sobre escrever”. In: A descoberta do mundo, p. 254.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Não entendo- Clarice Lispector- nem eu.

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector, A descoberta do mundo,1996

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

CRÔNICA: AMOR SÓ DE LETRAS- MÁRIO PRATA


Li a crônica abaixo, concordando e discordando. Mas a achei interessante, para refletir.



Amor, só de letras
  Conta a história que dom Pedro II casou-se sem conhecer a sua noiva.

Tinha visto um quadro com a cara da princesa. Casamento de interesses políticos lá dos portugueses, fazer o que? E quando a moça chegou no porto do Rio de Janeiro - consta - que ele fez uma cara emocionada. Pela feitura da imperial donzela. Mas casou, era o destino, era a desdita.



Tenho um avô que foi pedir mão da moça e o pai dela disse:



- Essa tá muito novinha. Leva aquela.



E ele levou aquela que viria a ser a minha avó. Ah, a outra morreu solteirona.



Quando aconteceu o grande boom da imigração japonesa, alguns anos depois, familiares que lá ficaram mandavam noivas para os que cá aportaram. Tudo no escuro. E de olhinhos fechados, ainda por cima.



De uns tempo para cá, o conceito da escolha foi mudando. Até ir para a cama antes, valia. Ficava-se antes.



Só que agora, finzinho do finzinho do século, surgiu um outro tipo de casamento. O casamento de letras. Letras de textos. O texto - finalmente, digo eu, escritor - virou casamenteiro. Apaixona-se, hoje em dia, pelo texto. Via internet. Via cabo, literalmente.



Conheço quatro casos bem próximos. Gente que desmanchou o casamento de carne e osso por uma aventura no mundo das letras.



Claro que estou me referindo aos encontros via Internet. Começa no chat, com o texto. Gostou do texto, leva para o reservado. E lá, rola. Eu mesmo já me envolvi perdidamente por dois textos belíssimos. Moças de vírgulas acentuadas, exclamações sensuais e risos de entortar qualquer coração letrado ou iletrado.



Sim, pela primeira vez nesta nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendo primeiramente pela palavra escrita. E lida, é claro.



Já disse, isso envaidece qualquer escritor. Agora, o texto pode levar ao amor. Uma espécie de amor-de-texto, amor-de-perdição.



A relação, o namoro, começa ali no monitor. Você pode passar algumas horas, dias e até semanas sem saber nada da outra pessoa. Só conhece o texto dela.



E é com o texto que vai se fazendo o charme. Você ainda não sabe se a pessoa é bonita ou feia, gorda ou magra, jovem ou velha. E, se não for esperto, nem se é homem ou mulher. Mas vai crescendo uma coisa dentro de você. Algo parecidíssimo com amor. Pelo texto.



Pouco a pouco, você vai conhecendo os detalhes da pessoa. Idade, uma foto, a profissão, a cor. Inclusive onde mora. Sim, porque às vezes você está levando o maior lero com o texto amado e descobre que ele vem lá da Venezuela. Ou do Arroio Chuí. Mas se o texto for bom mesmo, se ele te encanta de fato e impresso, você vai em frente. Mesmo olhando para aquela fotografia - que deve ser a melhor que ela tinha para te escanear (ou seria sacanear, me perdoando o trocadilho fácil) você vai em frente. "Uma pessoa com um texto desses..."



A tudo isso o bom texto supera.



Quando eu ouvia um pai ou mãe dizendo "meu filho fica horas na Internet", todo preocupado, eu também ficava. Até que, por força do meu atual trabalho, comecei a navegar pela dita suja.



E descobri, muito feliz da vida, que nunca uma geração de jovens brasileiros leu e escreveu tanto na vida. Se ele fica seis horas por dia ali, ou ele está lendo ou escrevendo. E mais: conhecendo pessoas. E amando essas pessoas.



Jamais, em tempo algum, o brasileiro escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto. E amou tanto.



No caso do amor ali nascido, a feitura, o peso, a cor, a idade ou a nacionalidade não importam. O que é mais importante é o texto. O texto é a causa do amor.



Quando comecei a escrever um livro pela internet, muitos colegas jornalistas me entrevistavam (sempre a mim e ao João Ubaldo) perguntando qual era o futuro da literatura pela Internet.



Há quatro meses atrás eu não sabia responder a essa pergunta. Hoje eu sei e tenho certeza do que penso:



- Essa geração vai dar muitos e muitos escritores para o Brasil. E muita gente vai se apaixonar pelo texto e no texto.



Existe coisa melhor para um escritor do que concluir uma crônica com isso?



Quer uma prova? Estou fazendo um concurso de crônicas no meu site (marioprataonline.com.br), entre os leitores/escritores. Entre lá e veja o nível. Pessoas que há pouco tempo atrás odiava escrever redação nas escolas, estão descobrindo o texto. Leiam e me digam se eu não estou certo. E são jovens, muito jovens.



Como diria Shakespeare, palavras, palavras, palavras.



Como diria Pelé, love, love, love.

.PRATA> Mário. Amor só de letras. Inhttp://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/frame_cronicas.htm:






sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A viagem é uma fissura na vida que vivo,descansa minha alma e acomoda meu coração.

A viagem é uma fissura na vida que vivo,descansa minha alma e acomoda meu coração.




Naiana F. 01/10/2010

Clarice Lispetor por ela mesma 2

Um novo pedaço da carta, sinto as palavras e não me sinto só:





"[...]Minha impressão é a de que eu trabalho no vazio, e para não cair eu me agarro num pensamento e para não cair desse novo pensamento eu me agarro em outro. É essa minha vida mental..."***


LISPECTOR,Clarice. Minhas queridas. Rio de janeiro:Rocco,2007,p.127.



***Por favor se alguém copiar assinale a referência, o texto é de Clarice Lispector...não deixa o trecho sem dono..ok?"




Naiana F.01/09/2010