terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ele recebeu o amor não com o simples recurso do coração, mas com a profundidade da alma.

Ele recebeu o amor não com o simples recurso do coração, mas com a profundidade da alma.

Naiana Freitas

Escrevi o mini-conto, ou quase conto-fragmento chamado: Depois, do amor o fica o fragmento. Na verdade, este título condensa a minha opinião sobre o Eros. Qual sentimento pode viver sem a necessidade de haver um coração físico? Qual sentimento pode ir além de tudo que é superficial? È fato, que o coração tornou-se o símbolo maior da soberania deste sentimento, mas felizmente tal figura é apenas uma ponta visível das bordas invisíveis do não carnal. Em geral, os leitores precisam de um elemento metafórico, simbólico, surrado que indiquem a existência deste sentimento ali ou acolá. Poucos olhares atentos poderiam ler a sintaxe do amor com a inexistência do termo coração. Sintaxe é escrita. Mas, a sintaxe do sentir não. Porque do coração, tentaram induzir a morte meu personagem. E eu bravamente, recusei o fim. Por quê? Porque algum autor celebre por ai, não sei se Clarice, não sei se Joyce, não sei se Woolf afirmou que o personagem era maior do que ele. A personagem era mais forte e vivo do que o autor que o vivificara. Acho que foi Shakespeare. Talvez não. Não sei. A questão é : o meu ele em Depois, do amor fica o fragmento é mais forte do que o meu sujeito autor. Meu personagem possui vida própria, eu fiz isso quando o iniciei em sua trajetória de vida, sozinho sem mim. De mim ele deve ter recebido amor, não o amor na sintaxe. Que afirmaram ser emperrada demais em uns momentos. Ele recebeu o amor. O amor sentido. Aquele que sentindo para mim um dia, sentindo e vendo através de mim alguém me ofertou, não com o simples recurso do coração, mas com a profundidade da alma. E é por isso, mesmo afastado de mim, o meu ele permanece vivo, mesmo sem coração. O personagem vive, mas não sabe o que sei dele. E ele, não sabe por que a literatura não é relatar sobre si mesmo. Literatura é construir uma atmosfera, é construir outro eu. Que não sou eu nem ele. Acho que não me ofertaram um dia. Acho que me oferta a cada dia, mesmo sem pétala na mão.****



Naiana Freitas 11/01/2011

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada!!!