quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mais uma nota sobre o trânsito em salvador.

Mais uma nota sobre o trânsito em salvador.
Segundo a revista Muito de 26 de julho de 2011, "[...] A frota de veículos de Salvador passou de 412 mil veículos, em 2000, para 739 mil em 2011" e tem mais "[...] O colapso tende a ser uma realidade previsível com o aumento contínuo da frota em três veículos por mês-cem novos a cada dia...".
O porquê da citação?
É uma forma racional e quantitativa para explicar as minhas 2h, 3h parada em engarrafamentos na cidade. Se cada pessoa que frequenta o ônibus lotado que pego, pudesse comprar um carro hoje, com certeza tal dado triplicaria. E aqui, é Salvador a terra da maresia-marítima e cultural (segundo dizem)!
®Naiana Freitas, 30 de junho de 2011.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

.A metáfora do relógio ou quando uma vida acaba.

A metáfora do relógio ou quando uma vida acaba.
 Esta semana meu relógio parou e voltou a funcionar, mas perdi o ônibus. Seria tão bom se a vida pudesse ser desligada em um segundo ou ser escrita de novo se fosse muito chata ou reativada com um novo tic-tac. A vida para e você não está com ela no pulso e de repente vem o desejo de olhá-la de novo. E não pode. Você perde o ônibus e vem outro. Com a vida não. Você perde algo entre a esperança e desesperança, entre o medo e a coragem... Quando o seu relógio quebra você compra outro. Ele tem tantos irmãos. Quando por movimentos exteriores, quando por ponteiros desacertados, quando por descuido daqueles que estudam para acertá-los, quando por desatenção dos relojoeiros de cifrões, ou quando aquela vida estava destinada a não ter um relógio... Ocorre o fim, a morte. Quando nascemos, cada qual sai da barriga da mãe e recebe um relógio. Um tic-tac meio invisível começa a bater. E não são os médicos que o colocam. Mas, a gente é muito jovem ainda para perceber que temos um... E o tempo passa. Seu relógio para e você compra outro.  E aquele tempo marca a repetição de tudo. Tudo.  A vida é repetição, mas só a temos. Acho que às vezes sim e às vezes não. E num suspiro, em um ataque cardíaco, em susto, em uma topada, em um esbarrão qualquer a vida acaba e não é possível comprar outra. E todos se doem. Todos se contorcem. Compro um relógio novo ou uma pilha? Nem conheci aquela menina e acho que ela nem observou quando o relógio dela parou. Porque acho que nem ao menos ele começou a funcionar de verdade. É triste quando uma vida acaba quando nem começou. A vantagem é que ela se transformou em anjo, fada, suspiro encantado, porque não tocou neste mundo.


®Naiana Freitas, 29 de junho de 2011.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pequeno Arco-íris.

Distração no paint.(risos)
Naiana Freitas.

     

                                                                                                                               Pequeno arco-íris.


Naiana P. de Freitas, 11/01/09

 
 Aos primeiros raios de luz do dia, aquela mulher sozinha fumava. Os seus cabelos desalinhavam com o vento. Trajava uma leve camiseta, uma calça folgada, descalça. Na varanda de casa, observava os ônibus, carros que passavam na rodovia. A poeira subia e a fumaça se encontrava com ela. A mulher tragava, a fumaça expandia-se. O sol vinha vindo meio calado, contudo cheio de alegria. A mulher balançava-se no muro da varanda, um pé na frente, outro atrás. A fumaça expandindo-se. Aquele olhar perdido não perguntava por que respondia. O que habita no coração de uma mulher? Por vezes perguntou-se: Dentro de mim habitará uma mulher? Uma mulher longe, encoberta por muros bordados e acetinados. Lá solitária o seu mundo não é pleno, ela chama por alguém. Não alguém que a complete, mas que lhe permitisse o desencontro com a solidão. Um filho um dia talvez, pudesse animá-la. Ela cuidaria o quanto possível dele, pois ele seria as suas entranhas também. No entanto, ela permaneceria sozinha. Porque somente de vez em quando, ela iniciaria um diálogo com ele ali dentro. A resposta desta conversa soaria como um eco de sua própria voz solitária. Em seu castelo de pérolas e vestidos de festa. Vestida com a luz do sol procuraria uma festa, um caminho. A cada nuvem de fumaça que subia uma interrogação levava e uma resposta escondia. A solidão era seu par todos os dias. Ela levantou a cabeça ao alto, observou o céu por um instante. Assoprou a fumaça para o ar de uma vez, jogou fora o cigarro no canto do muro, mordeu os lábios. Neste momento, desistira do filho e entrou no quarto novamente. Fechou a porta com cuidado, o vento lá fora ainda imperava. Cerrou as cortinas, caminhou em direção à cama. Sentou, olhou para o enorme espelho em sua frente. Ao encarar a sua própria cara, procurou por algo mais elementar, primitivo para sanar a solidão. Um homem talvez. A possibilidade de um ser masculino compreender e se instalar no coração de uma mulher com o passar do tempo torna-se assustadoramente complexo. No exercício de analisar-se frente ao espelho, lágrimas brotavam impregnadas de solidão. Mulher sem paetês, sem decadência. Um homem transmudado em mulher seria a solução? Como incluir a feminilidade em um homem? Deitou-se de barriga para cima na cama, cruzou as mãos sob o ventre. Respirou profundamente e o odor do cigarro perambulou por todo o quarto. Fechou os olhos trêmulos e molhados e sonhou com asas de cetim, pensamentos bordados com essência. Como um clarão tudo se realizou perfeitamente com inicio, meio e fim. De repente um descobridor desembarcava em um coração lagrimoso feminino. A bússola que o guiava chamava-se: curiosidade. Ele recolheu umas amostras daquele solo sozinho. Retirou cuidadosamente aqueles pedacinhos para que assim, a solidão não a acordasse e não a machucasse. Por fim, ele não conseguiu desvendar o que batia naquele coração compassado... Despediu-se sem um beijo, tampouco um adeus. No meio do caminho, perdeu-se da curiosidade e voltou para aquele solo sem ela. A curiosidade jamais será um guia para amar. No regresso, ele fixou-se naquele olhar longínquo e naquele coração ritmado. Ele se deixou envolver pelo querer bem. A solitária em seu vazio escutou as suas conversas e esqueceu a sua dor. E encontrou nele um apoio, um ombro para chorar. Com a ausência da curiosidade o coração do homem abriu um espaço para um novo sentimento, Silencioso. E assim, descobrira o batimento sentido, sofrido e cardíaco daquela mulher sozinha. Ambos se encontraram, reconheceram-se. Eles doaram-se um ao outro a cada dia. Com o passar dos anos, aquele ato não se transformou em filantropia e sim em amor. Doaram-se em alma e coração um ao outro. Uma paz a companhia. Abriu os olhos como em um susto, olhou para o teto: chorava, gritava, o sonho terminou. Ao fim lamentou com vários palavrões e “indecências” assim a tristeza fluiu por caminhos tortos, porém certos. Virou- se de lado: petrificou como as múmias em um sarcófago esquecido. Um homem em sua cama dormia. Ele olhou-a intensamente, aconchegou-se ao seu peito, que arfava sem entender, e secretamente confessou-lhe: um arco-íris habita dentro de ti. Todos os dias você pinta-o com pincéis de cores variadas juntamente com ingredientes providos de fantasia, que transformam o amor em possibilidade. Entretanto, todas as manhãs ao raiar do dia, você esquece-se de si e foge de mim, por medo.




®Naiana Freitas,27 de junho de 2011-postado

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mais florzinhas da sacada...

flores photoshop...

flores naturais...
Mais florzinhas...Fotos minhas é claro..agora compartilhadas...
O dia de São João estava lindo[apesar da fumaça da fogueira]...

®Naiana Freitas,24 de junho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Imagem do jardinzinho da sacada....

Foto: Naiana Freitas- jardinzinho da sacada.
Uma linda imagem para suavizar o São Jõao!! Uma perfeição de simplicidade!
Daria um bom título: O jardinzinho da sacada ...boa idea.

®Naiana Freitas,23 de junho de 2011.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Trecho do conto: A bela e a fera ou a ferida grande de mais.

Trecho do conto: A bela e a fera ou a ferida grande de mais.
 Este conto é simplesmente bastante significativo. Somente uma leitura na íntegra poderá significar todos esses significados. A dúvida tomou-me: qual trecho escolher? Se não o texto inteiro? Mas, obedecendo a certa organização... Optei por citar uma parte mesmo, quem sabe duas ou três e mais tarde o texto inteiro?
"[...] Não se lembrava quando fora a última vez que estava sozinha consigo mesma. Talvez nunca. Sempre era ela-com os outros, e nesses outros ela se refletia e os outros refletiam-se nela. Nada era- era puro, pensou sem se entender. Quando se viu no espelho- a pele trigueira pelos banhos de sol faziam ressaltar as flores douradas perto do rosto nos cabelos negros-, conteve-se para não exclamar um “ah”!-pois ela era cinquenta milhões de unidades de gente linda”.p.95
Ou:
“[...] que paciência tinha que ter consigo mesma. Que paciência tinha que ter para salvar a sua própria pequena vida. Salvar de quê? Do julgamento? Mas quem julgava? Sentiu a boca inteiramente seca e a garganta em fogo-exatamente como quando tinha que se submeter a exames escolares. E não havia água! Sabe o que é isso-não haver água?”p.99
 ®Naiana Freitas, 21 de junho de 2011.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Trecho do conto Obsessão da Senhora Lispector.

"[..].É preciso saber sentir,mas também saber como deixar de sentir,porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Aprenda a encantar e a desencantar. Observe,estou lhe ensinando qualquer coisa de precioso:a mágica oposta ao "abre-te Sésamo". Para que um sentimento perca o perfume e deixe  de intoxicar-nos,nada há de melhor que expô-lo ao sol."

Lispector,Clarice. A bela e a fera.Rio de janeiro:Rocco,199.p.48.

®Naiana Freitas,20 de junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

RESENHA:Texto: LOPEZ, Telê Porto Ancona. Macunaíma a margem e o texto.[sl]: [s.ed],[s.ano].p.3-23,75-83.

RESENHA:
Texto: LOPEZ, Telê Porto Ancona. Macunaíma a margem e o texto.[sl]: [s.ed],[s.ano].p.3-23,75-83.

Nas três primeiras seções intituladas: Macunaíma et Marginalia; Mário de Andrade e Koch-Gruberg; As razões de Macunaíma. Estão dispostas as influências filosóficas, literárias encontradas nos escritos de Mário de Andrade. Como também o método de elaboração de sua principal obra: Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. Visto que, o objetivo do texto de Telê Porto Ancona Lopez é analisar os caminhos que levaram a concepção da obra e as significações  imprimidas ao texto após a sua publicação. Conforme a autora, Mário de Andrade era autodidata  e por conta disto recebeu  inúmeras influências de diversos autores por meio de suas leituras. Vê-se, por exemplo, influências Freudianas em seus textos. Ele fazia anotações nas margens dos livros lidos e por este motivo à crítica literária tomou consciência dos meios que o levaram a escrever esta obra, como também das fontes cientificas que agregaram uma verossimilhança aos mitos, travessuras,confusões trazidos por Macunaíma na sua estrutura narrativa.As exaustivas anotações no livro Vom  Roroima Zum Orinoco do etnógrafo  alemão  Koch-Grunberg mostram como o M. de Andrade  baseou-se nas suas descobertas e estudos etnográficos pelo Brasil.Os elementos que constituem a obra são apresentados na terceira seção (Razões de Macunaíma), assim a criação popular, o símbolo, a sátira, o regionalismo, nacionalismo. Serão analisados pela autora nas seções que seguem: Os mitos indígenas e a rapsódia Macunaíma; Macunaíma, simbolismo de brasileiro; Macunaíma, sátira de Brasil; Nacionalizar sem regionalizar; Macunaíma e Antropofagia. É possível observar, no enredo de Macunaíma elementos de origem popular, já que a criação popular está incorporada aos textos de M. de Andrade. Assim ao mesclar o popular ao erudito  ele garantiu uma visibilidade  aos valores “intrínsecos” do povo brasileiro.Através do uso de mitos indígenas, narrativas populares,linguagem coloquial,Andrade produziu uma obra  representativa da “identidade nacional”. Na estrutura narrativa do “romance” fez uso de etnias que historicamente constituem a base de nossa construção de nacionalidade: o índio, o negro, e o europeu.  Desta forma reconstrói um passado histórico e mitológico para a “civilização  brasileira”. O protagonista, Macunaíma, caracteriza-se por elementos que entram em conflito com os valores éticos e estéticos difundidos no imaginário nacional em voga neste período. A sátira predomina na obra literária analisada, porque através da ironia com os costumes nacionais M. de Andrade traz a superfície uma ácida crítica à estrutura política, social, econômica da nação brasileira. Por evidenciar o nacionalismo, ou seja, por considerar o país  como um todo pertencente a todos, Mário de Andrade propõe uma ruptura com o regionalismo, pois a obra Macunaíma clama por uma mistura de mitos, ritos, etnias. Assim, para Mário de Andrade nacionalizar não é regionalizar, pois o nacional alimenta-se de partículas de um conhecimento localizado em determinada região que ao unir-se aos demais constitui um imaginário nacional. Segundo Telê Porto A. Lopez, Macunaíma não foi escrito com intenções antropofágicas. Visto que Mário de Andrade divergia do sentimento antropofágico experimentado pelos “modernistas” de seu tempo. A autora cita uma carta na qual M. de Andrade explica a Alceu de Amoroso Lima, a sua discordância com a antropofagia e o Manifesto Pau-brasil e a falta de motivação para romper com o movimento modernista. Pois de certa forma, Ele compreendia  o caráter reformulador do movimento. Após estas seções enumeradas acima, outro capitulo surge (acredito, pois não há um título que defina as últimas páginas do texto como outro capítulo). A autora traz alguns outros pontos sobre a obra Andradiana: Macunaíma: o herói sem nenhum caráter.Como a existência de uma dedicatória a José de Alencar no manuscrito da obra. No entanto, em 1928(ano de publicação da obra) esta dedicatória é subtraída da edição final. Por conta disto à autora formula algumas possibilidades para esta subtração. Entre elas, uma possível ruptura com o “modernismo” caso a critica viesse alinhar a sua obra “moderna” a um autor “antigo” e “clássico”. Por encadeamento de ideias, o Romantismo começa a ser discutido no texto, assim é possível observar a contribuição deste “período literário” para o Modernismo brasileiro, com algumas ressalvas, é claro. Telê Lopez vai além ao trazer para a baila da discussão um texto escrito em 1901. Este livro configura-se também como importante para a análise de Macunaíma. Pois, no prefácio deste livro encontra-se uma noção de língua brasileira. Este conceito de língua será o germe para a idéia de constituição de uma língua nacional sem vinculação com a Europa, proposta por M. de Andrade em “seu modernismo”. A autora retoma algumas idéias já descritas anteriormente,como a significação e a relevância da obra analisada, para a legitimação de uma identidade nacional. No entanto, a busca de uma raiz legítima para o brasileiro torna-se perigosa, pois não devemos perder de vista, que a nacionalidade é uma construção.

®Naiana Freitas,19 de junho de 2011.

 *Gostei da resenha, a fiz em 2009.Na disciplina chamada literatura comtemporânea. Postei a resenha, porque acredito ter alguma qualidade. Quem copiar e colar, não tem problema porque o prejuízo com toda a certeza não será meu. Eu fiz a resenha e li o livro. A experiência foi minha.E conhecimento não se cola e copia. Agora se tiver alguém que inicie a leitura para escrever algo sobre o assunto..agradeço.

sábado, 18 de junho de 2011

Pensamentos loucos talvez...A explosão não tardaria...

[Pensamentos loucos talvez... A explosão não tardaria...]*



Ela continha-se fortemente. Uma corrente pesada invisível prendia seu corpo. Presa com um nó apertado em si. Ás vezes imaginava esticar a mão para ser mais livre, mas aquilo doía como em um ônibus cheio. Se mexer em um ônibus cheio. Em alguns momentos a corrente deixava de ser de chumbo passava a uma textura quase de lã. E ela se movia por dentro, e o movimento esbarrava no macio da lã. E aos poucos afrouxava os nós e estes se transformavam em laços acabados, como o cumprimento do dever de um Caxias em um emprego. Movia-se na vagarosidade e o bom é que contemplava, observava tudo... Às vezes seus olhos transbordavam parecia que algo doía, mas não. Era alegria em lágrimas. Contudo tinha aqueles dias plúmbeos. Sim. Arrastava uma corrente imensa dentro do espaço: corpo. Ah! Maria como sair disso?Como ser livre agora?Freqüentemente se conformava aquilo a afligia, amargurava, angustiava não havia lágrimas, não havia! Não se movimentava. Ela endurecia por fora. No ônibus nem se movia, os pensamentos voavam...  E a chave da saída também trancava. E tudo lá contido, cativo, reprimido dentro de apenas cinco letras: Maria! Prendia dois, três dias. Uma semana tudo dentro. Reconstrução de pensamentos, confluência de pensamentos loucos talvez... A explosão não tardaria. EXPLOSÃO. No outro dia jogava tudo fora, ainda de forma indesejada, entretanto esvaziava-se aos poucos. Se tivesse uma tesoura em mãos ilógicas cortaria todas as roupas, tingiria o quarto inteiro. E adoraria que não houvesse mais elásticos para prender o cabelo. Quero ser livre de mim, gritaria para quem estivesse perto ouvir... Quem sabe uma liberdade ainda que tardia? Quase nunca conseguia unir o macio da lã e a tenacidade do ferro. Meio termo, meio-termo. Lado e outro. Vestia uma blusa folgada com ombros nus, bem desejantes... O cabelo permanecia para conter-se (até quando?). Poderia agarrá-lo um dia, assim sem querer... Sempre em busca do equilíbrio e tranqüilidade que sentia quando bebia leite gelado quase de madrugada ou quando bebia um liquido doce com um canudinho. Aquilo era desacorrentar de si e atingir um espaço vazio.



Naiana P. de Freitas. 29/02/08-



*Hoje três anos depois pensei em mudar o título desse escrito. Mas, que título melhor do que aquele que se pensou no início?



®Naiana Freitas, 15 de junho de 2011.
É mais fácil acreditar na volta de Jesus do que em partido político no Brasil...




®Naiana Freitas, 18 de junho de 2011.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

The Poem-I carry your heart with me E.E. Cummings


Esse poema está postado em português no blog.[se é claro, não me falhe a memória,faz um tempo que conheço esse poema] .Como gosto de letras, gostei da montagem.Na verdade, gostei da disposição das letras ao longo do vídeo..

NPF,15 de junho de 2011.

sábado, 11 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vou me mudar...

Vou me mudar...

Vou me mudar para um lugar que faça um friozinho de manhã ao acordar. E que as chuvas sejam esparsas e inconstantes.  Assim, cedinho poderei ouvir o silêncio sem nenhum vizinho atrapalhando. Sem nenhuma sombrinha para prender na borboleta do ônibus. Sem nenhum calor que possa sufocar.

 Vou me mudar para um lugar que faça os dias curtos e as noites longas. E que as noites sejam quentes e constantes. Assim, cedinho poderei ouvir o silêncio sem nenhum vizinho atrapalhando. Sem nenhuma pressa para prender-me no sistema da vida. Sem nenhum vazio que possa completar.

 Vou me mudar sem mim...
Vou apenas acompanhar o inverno...
Ele é o meu par.



®Naiana Freitas, 10 de junho de 2011.

Trecho do livro: The biography of my mother de Jamaica Kincaid.

"I spoke to myself because I grew to like the sound of my own voice."(KINCAID,Jamaica. The biography of my mother.New York: A plure Book,1997,p.16

ou
"[...]as if the death of a loved one had occurred."(idem,p.8)

Estas frases fazem parte do primeiro capítulo do livro: The biography of my mother da escritora Jamaica Kincaid.O motivo das citações aqui refere-se ao meu encantamento com o estilo da escritora-estilo que já havia observado no Small Place-. O texto é repleto de imagens..acho que é a escrita atuando como um psicanalista. Reinventando. Costurando e tecendo uma identidade que às vezes parece pertencer a um vazio.

Em breve vou tê-lo..bem corporal isso.Melhorando, em breve comprarei o livro para lê-lo do inicio ao fim.Adorei o primeiro capítulo. Esperarei pelos próximos, com muitooo gosto.

®Naiana Freitas,10 de junho de 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

CONTO TENTAÇÃO-CLARICE LISPECTOR

TENTAÇÃO(Clarice Lispector )



Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
Mas ambos eram comprometidos.
Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.
Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás

LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
fonte:
http://www.tirodeletra.com.br/conto_canino/Tentacao-ClariceLispector.htm

quarta-feira, 8 de junho de 2011

The poem: THE NEGRO SPEAKS OF RIVERS -Langston Hughes

Amei este poema, deste a primeira vez que o li.Tanta profundidade. Tanta razão e sensibilidade. Perfeito!
Se interesse houver, procurem o autor.

®Naiana Freitas, 08 de junho de 2011.

***************

The Negro Speaks of Rivers by Langston Hughes

Fonte: http:///www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/15722

 I've known rivers:
I've known rivers ancient as the world and older than the

     flow of human blood in human veins.
My soul has grown deep like the rivers.

 I bathed in the Euphrates when dawns were young.
I built my hut near the Congo and it lulled me to sleep.
I looked upon the Nile and raised the pyramids above it.
I heard the singing of the Mississippi when Abe Lincoln

went down to New Orleans, and I've seen its muddy
bosom turn all golden in the sunset.

I've known rivers:
Ancient, dusky rivers.
My soul has grown deep like the rivers.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

.Trecho de Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres da senhora Lispector.

“[...] O amor por Ulisses veio como uma onda que ela tivesse podido controlar até então. Mas de repente ela não queria mais controlar.

E quando  notou que aceitava em pleno amor ,sua alegria foi tão grande que o coração lhe batia por todo o corpo,parecia-lhe que mil corações  batiam- lhe  nas profundezas de sua pessoa. .  Um direito de ser tomou-a, como se ela  tivesse acabado de chorar ao nascer. Como? Como prolongar o nascimento pela vida inteira? Foi depressa ao espelho para saber quem era Loreley  e para saber se podia ser amada. Mas assustou-se a se ver.” .

Eu existo, estou vendo, mas quem sou eu? E ela teve medo. Parecia-lhe que sentindo menos dor, perdera a vantagem da dor como aviso ou sintoma.  Estivera incomparavelmente mais serena porém  em grande perigo de vida: podia estar a um passo da morte da alma,a um passo desta já ter morrido, e sem o benefício  de seu próprio aviso prévio."

 LISPECTOR. Clarice. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Rio de janeiro, Rocco, 1998.  p.128.

domingo, 5 de junho de 2011

Desenho infantil

Para acalmar , observem que desenho lindo...amo desenhos infantis.Guardei quase todos o que pude do meu irmãozinho..agora tão grande.Esse desenho é de uma menininha linda e muito criativa. De nome Maria.

®Naiana Freitas,05 de junho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

comentário...

é uso de Celular causa câncer...tudo causa câncer..resumindo parece que viver causa Câncer...estamos no limite e no fim de tudo ao mesmo tempo..

NPF,01 de junho de 2011.