quarta-feira, 29 de junho de 2011

.A metáfora do relógio ou quando uma vida acaba.

A metáfora do relógio ou quando uma vida acaba.
 Esta semana meu relógio parou e voltou a funcionar, mas perdi o ônibus. Seria tão bom se a vida pudesse ser desligada em um segundo ou ser escrita de novo se fosse muito chata ou reativada com um novo tic-tac. A vida para e você não está com ela no pulso e de repente vem o desejo de olhá-la de novo. E não pode. Você perde o ônibus e vem outro. Com a vida não. Você perde algo entre a esperança e desesperança, entre o medo e a coragem... Quando o seu relógio quebra você compra outro. Ele tem tantos irmãos. Quando por movimentos exteriores, quando por ponteiros desacertados, quando por descuido daqueles que estudam para acertá-los, quando por desatenção dos relojoeiros de cifrões, ou quando aquela vida estava destinada a não ter um relógio... Ocorre o fim, a morte. Quando nascemos, cada qual sai da barriga da mãe e recebe um relógio. Um tic-tac meio invisível começa a bater. E não são os médicos que o colocam. Mas, a gente é muito jovem ainda para perceber que temos um... E o tempo passa. Seu relógio para e você compra outro.  E aquele tempo marca a repetição de tudo. Tudo.  A vida é repetição, mas só a temos. Acho que às vezes sim e às vezes não. E num suspiro, em um ataque cardíaco, em susto, em uma topada, em um esbarrão qualquer a vida acaba e não é possível comprar outra. E todos se doem. Todos se contorcem. Compro um relógio novo ou uma pilha? Nem conheci aquela menina e acho que ela nem observou quando o relógio dela parou. Porque acho que nem ao menos ele começou a funcionar de verdade. É triste quando uma vida acaba quando nem começou. A vantagem é que ela se transformou em anjo, fada, suspiro encantado, porque não tocou neste mundo.


®Naiana Freitas, 29 de junho de 2011.

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