sábado, 18 de junho de 2011

Pensamentos loucos talvez...A explosão não tardaria...

[Pensamentos loucos talvez... A explosão não tardaria...]*



Ela continha-se fortemente. Uma corrente pesada invisível prendia seu corpo. Presa com um nó apertado em si. Ás vezes imaginava esticar a mão para ser mais livre, mas aquilo doía como em um ônibus cheio. Se mexer em um ônibus cheio. Em alguns momentos a corrente deixava de ser de chumbo passava a uma textura quase de lã. E ela se movia por dentro, e o movimento esbarrava no macio da lã. E aos poucos afrouxava os nós e estes se transformavam em laços acabados, como o cumprimento do dever de um Caxias em um emprego. Movia-se na vagarosidade e o bom é que contemplava, observava tudo... Às vezes seus olhos transbordavam parecia que algo doía, mas não. Era alegria em lágrimas. Contudo tinha aqueles dias plúmbeos. Sim. Arrastava uma corrente imensa dentro do espaço: corpo. Ah! Maria como sair disso?Como ser livre agora?Freqüentemente se conformava aquilo a afligia, amargurava, angustiava não havia lágrimas, não havia! Não se movimentava. Ela endurecia por fora. No ônibus nem se movia, os pensamentos voavam...  E a chave da saída também trancava. E tudo lá contido, cativo, reprimido dentro de apenas cinco letras: Maria! Prendia dois, três dias. Uma semana tudo dentro. Reconstrução de pensamentos, confluência de pensamentos loucos talvez... A explosão não tardaria. EXPLOSÃO. No outro dia jogava tudo fora, ainda de forma indesejada, entretanto esvaziava-se aos poucos. Se tivesse uma tesoura em mãos ilógicas cortaria todas as roupas, tingiria o quarto inteiro. E adoraria que não houvesse mais elásticos para prender o cabelo. Quero ser livre de mim, gritaria para quem estivesse perto ouvir... Quem sabe uma liberdade ainda que tardia? Quase nunca conseguia unir o macio da lã e a tenacidade do ferro. Meio termo, meio-termo. Lado e outro. Vestia uma blusa folgada com ombros nus, bem desejantes... O cabelo permanecia para conter-se (até quando?). Poderia agarrá-lo um dia, assim sem querer... Sempre em busca do equilíbrio e tranqüilidade que sentia quando bebia leite gelado quase de madrugada ou quando bebia um liquido doce com um canudinho. Aquilo era desacorrentar de si e atingir um espaço vazio.



Naiana P. de Freitas. 29/02/08-



*Hoje três anos depois pensei em mudar o título desse escrito. Mas, que título melhor do que aquele que se pensou no início?



®Naiana Freitas, 15 de junho de 2011.

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