segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pequeno Arco-íris.

Distração no paint.(risos)
Naiana Freitas.

     

                                                                                                                               Pequeno arco-íris.


Naiana P. de Freitas, 11/01/09

 
 Aos primeiros raios de luz do dia, aquela mulher sozinha fumava. Os seus cabelos desalinhavam com o vento. Trajava uma leve camiseta, uma calça folgada, descalça. Na varanda de casa, observava os ônibus, carros que passavam na rodovia. A poeira subia e a fumaça se encontrava com ela. A mulher tragava, a fumaça expandia-se. O sol vinha vindo meio calado, contudo cheio de alegria. A mulher balançava-se no muro da varanda, um pé na frente, outro atrás. A fumaça expandindo-se. Aquele olhar perdido não perguntava por que respondia. O que habita no coração de uma mulher? Por vezes perguntou-se: Dentro de mim habitará uma mulher? Uma mulher longe, encoberta por muros bordados e acetinados. Lá solitária o seu mundo não é pleno, ela chama por alguém. Não alguém que a complete, mas que lhe permitisse o desencontro com a solidão. Um filho um dia talvez, pudesse animá-la. Ela cuidaria o quanto possível dele, pois ele seria as suas entranhas também. No entanto, ela permaneceria sozinha. Porque somente de vez em quando, ela iniciaria um diálogo com ele ali dentro. A resposta desta conversa soaria como um eco de sua própria voz solitária. Em seu castelo de pérolas e vestidos de festa. Vestida com a luz do sol procuraria uma festa, um caminho. A cada nuvem de fumaça que subia uma interrogação levava e uma resposta escondia. A solidão era seu par todos os dias. Ela levantou a cabeça ao alto, observou o céu por um instante. Assoprou a fumaça para o ar de uma vez, jogou fora o cigarro no canto do muro, mordeu os lábios. Neste momento, desistira do filho e entrou no quarto novamente. Fechou a porta com cuidado, o vento lá fora ainda imperava. Cerrou as cortinas, caminhou em direção à cama. Sentou, olhou para o enorme espelho em sua frente. Ao encarar a sua própria cara, procurou por algo mais elementar, primitivo para sanar a solidão. Um homem talvez. A possibilidade de um ser masculino compreender e se instalar no coração de uma mulher com o passar do tempo torna-se assustadoramente complexo. No exercício de analisar-se frente ao espelho, lágrimas brotavam impregnadas de solidão. Mulher sem paetês, sem decadência. Um homem transmudado em mulher seria a solução? Como incluir a feminilidade em um homem? Deitou-se de barriga para cima na cama, cruzou as mãos sob o ventre. Respirou profundamente e o odor do cigarro perambulou por todo o quarto. Fechou os olhos trêmulos e molhados e sonhou com asas de cetim, pensamentos bordados com essência. Como um clarão tudo se realizou perfeitamente com inicio, meio e fim. De repente um descobridor desembarcava em um coração lagrimoso feminino. A bússola que o guiava chamava-se: curiosidade. Ele recolheu umas amostras daquele solo sozinho. Retirou cuidadosamente aqueles pedacinhos para que assim, a solidão não a acordasse e não a machucasse. Por fim, ele não conseguiu desvendar o que batia naquele coração compassado... Despediu-se sem um beijo, tampouco um adeus. No meio do caminho, perdeu-se da curiosidade e voltou para aquele solo sem ela. A curiosidade jamais será um guia para amar. No regresso, ele fixou-se naquele olhar longínquo e naquele coração ritmado. Ele se deixou envolver pelo querer bem. A solitária em seu vazio escutou as suas conversas e esqueceu a sua dor. E encontrou nele um apoio, um ombro para chorar. Com a ausência da curiosidade o coração do homem abriu um espaço para um novo sentimento, Silencioso. E assim, descobrira o batimento sentido, sofrido e cardíaco daquela mulher sozinha. Ambos se encontraram, reconheceram-se. Eles doaram-se um ao outro a cada dia. Com o passar dos anos, aquele ato não se transformou em filantropia e sim em amor. Doaram-se em alma e coração um ao outro. Uma paz a companhia. Abriu os olhos como em um susto, olhou para o teto: chorava, gritava, o sonho terminou. Ao fim lamentou com vários palavrões e “indecências” assim a tristeza fluiu por caminhos tortos, porém certos. Virou- se de lado: petrificou como as múmias em um sarcófago esquecido. Um homem em sua cama dormia. Ele olhou-a intensamente, aconchegou-se ao seu peito, que arfava sem entender, e secretamente confessou-lhe: um arco-íris habita dentro de ti. Todos os dias você pinta-o com pincéis de cores variadas juntamente com ingredientes providos de fantasia, que transformam o amor em possibilidade. Entretanto, todas as manhãs ao raiar do dia, você esquece-se de si e foge de mim, por medo.




®Naiana Freitas,27 de junho de 2011-postado

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada!!!