domingo, 19 de junho de 2011

RESENHA:Texto: LOPEZ, Telê Porto Ancona. Macunaíma a margem e o texto.[sl]: [s.ed],[s.ano].p.3-23,75-83.

RESENHA:
Texto: LOPEZ, Telê Porto Ancona. Macunaíma a margem e o texto.[sl]: [s.ed],[s.ano].p.3-23,75-83.

Nas três primeiras seções intituladas: Macunaíma et Marginalia; Mário de Andrade e Koch-Gruberg; As razões de Macunaíma. Estão dispostas as influências filosóficas, literárias encontradas nos escritos de Mário de Andrade. Como também o método de elaboração de sua principal obra: Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. Visto que, o objetivo do texto de Telê Porto Ancona Lopez é analisar os caminhos que levaram a concepção da obra e as significações  imprimidas ao texto após a sua publicação. Conforme a autora, Mário de Andrade era autodidata  e por conta disto recebeu  inúmeras influências de diversos autores por meio de suas leituras. Vê-se, por exemplo, influências Freudianas em seus textos. Ele fazia anotações nas margens dos livros lidos e por este motivo à crítica literária tomou consciência dos meios que o levaram a escrever esta obra, como também das fontes cientificas que agregaram uma verossimilhança aos mitos, travessuras,confusões trazidos por Macunaíma na sua estrutura narrativa.As exaustivas anotações no livro Vom  Roroima Zum Orinoco do etnógrafo  alemão  Koch-Grunberg mostram como o M. de Andrade  baseou-se nas suas descobertas e estudos etnográficos pelo Brasil.Os elementos que constituem a obra são apresentados na terceira seção (Razões de Macunaíma), assim a criação popular, o símbolo, a sátira, o regionalismo, nacionalismo. Serão analisados pela autora nas seções que seguem: Os mitos indígenas e a rapsódia Macunaíma; Macunaíma, simbolismo de brasileiro; Macunaíma, sátira de Brasil; Nacionalizar sem regionalizar; Macunaíma e Antropofagia. É possível observar, no enredo de Macunaíma elementos de origem popular, já que a criação popular está incorporada aos textos de M. de Andrade. Assim ao mesclar o popular ao erudito  ele garantiu uma visibilidade  aos valores “intrínsecos” do povo brasileiro.Através do uso de mitos indígenas, narrativas populares,linguagem coloquial,Andrade produziu uma obra  representativa da “identidade nacional”. Na estrutura narrativa do “romance” fez uso de etnias que historicamente constituem a base de nossa construção de nacionalidade: o índio, o negro, e o europeu.  Desta forma reconstrói um passado histórico e mitológico para a “civilização  brasileira”. O protagonista, Macunaíma, caracteriza-se por elementos que entram em conflito com os valores éticos e estéticos difundidos no imaginário nacional em voga neste período. A sátira predomina na obra literária analisada, porque através da ironia com os costumes nacionais M. de Andrade traz a superfície uma ácida crítica à estrutura política, social, econômica da nação brasileira. Por evidenciar o nacionalismo, ou seja, por considerar o país  como um todo pertencente a todos, Mário de Andrade propõe uma ruptura com o regionalismo, pois a obra Macunaíma clama por uma mistura de mitos, ritos, etnias. Assim, para Mário de Andrade nacionalizar não é regionalizar, pois o nacional alimenta-se de partículas de um conhecimento localizado em determinada região que ao unir-se aos demais constitui um imaginário nacional. Segundo Telê Porto A. Lopez, Macunaíma não foi escrito com intenções antropofágicas. Visto que Mário de Andrade divergia do sentimento antropofágico experimentado pelos “modernistas” de seu tempo. A autora cita uma carta na qual M. de Andrade explica a Alceu de Amoroso Lima, a sua discordância com a antropofagia e o Manifesto Pau-brasil e a falta de motivação para romper com o movimento modernista. Pois de certa forma, Ele compreendia  o caráter reformulador do movimento. Após estas seções enumeradas acima, outro capitulo surge (acredito, pois não há um título que defina as últimas páginas do texto como outro capítulo). A autora traz alguns outros pontos sobre a obra Andradiana: Macunaíma: o herói sem nenhum caráter.Como a existência de uma dedicatória a José de Alencar no manuscrito da obra. No entanto, em 1928(ano de publicação da obra) esta dedicatória é subtraída da edição final. Por conta disto à autora formula algumas possibilidades para esta subtração. Entre elas, uma possível ruptura com o “modernismo” caso a critica viesse alinhar a sua obra “moderna” a um autor “antigo” e “clássico”. Por encadeamento de ideias, o Romantismo começa a ser discutido no texto, assim é possível observar a contribuição deste “período literário” para o Modernismo brasileiro, com algumas ressalvas, é claro. Telê Lopez vai além ao trazer para a baila da discussão um texto escrito em 1901. Este livro configura-se também como importante para a análise de Macunaíma. Pois, no prefácio deste livro encontra-se uma noção de língua brasileira. Este conceito de língua será o germe para a idéia de constituição de uma língua nacional sem vinculação com a Europa, proposta por M. de Andrade em “seu modernismo”. A autora retoma algumas idéias já descritas anteriormente,como a significação e a relevância da obra analisada, para a legitimação de uma identidade nacional. No entanto, a busca de uma raiz legítima para o brasileiro torna-se perigosa, pois não devemos perder de vista, que a nacionalidade é uma construção.

®Naiana Freitas,19 de junho de 2011.

 *Gostei da resenha, a fiz em 2009.Na disciplina chamada literatura comtemporânea. Postei a resenha, porque acredito ter alguma qualidade. Quem copiar e colar, não tem problema porque o prejuízo com toda a certeza não será meu. Eu fiz a resenha e li o livro. A experiência foi minha.E conhecimento não se cola e copia. Agora se tiver alguém que inicie a leitura para escrever algo sobre o assunto..agradeço.

2 comentários:

  1. Nossa, adoreiiii! Estou estudando o pensamento crítico da Telê Ancona, e não consigo encontrar mais esse livro em nenhuma livraria ou sebo. Resenha muito pertinente! Infelizmente no Brasil não há reedições de livros de crítica literária! :(

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Obrigada!!!