quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A desventura de uma aula.

 A desventura de uma aula.

No alto: o professor parado. Falava sem parar. Em baixo: os alunos se coçavam e as alunas bocejavam. No meio: ela com a vontade louca de rir. Rir sozinha. Rir um riso alcoólico sem explicação. Ela expectava. Ela olhava, observava e analisava.  Olhava para frente e observava os lados e analisava-se como uma figura em 3D que ali não estava. No quadro rabiscos, quadros, triângulos não equiláteros.  E o desejo da gargalhada. A voz do professor era o som daquela aula. Aula desventurada, desafortunada e chata. Ela fazia ambiguamente corações  cor de rosa na borracha verde. Ah, ah tem que combinar... De repente, eis que chega a piedade espreguiçante com as pontas dos dedos mergulhadas em pena. E foi esse dedo que tocou nela. Ele não dava aula para ninguém, ele fingia sozinho. Explicava sozinho. Riscava sozinho o quadro. E ela no constante refluxo do sono. No meio sono, todos os filmes Hollywoodianos vieram à cabeça, com aquele relógio grande, redondo sob a porta. Mas, o tempo travava, matracava. Era resignação e o medo da falta os motivos que a prendiam a aula. Era a resignação e a obediência. Menos virtude e mais coerção. Ela e seus amigos cativos naquele espaço. A diferença entre ambos? Ela enxergava o relógio imaginativamente criado e eles não.
®Naiana Freitas, 12 de outubro de 2011.


3 comentários:

  1. Maravilha de aula heim?
    Uma aula supercalefragilistica!!!rsrsrs
    Muito bom este conto!!
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. rs gostei Naiana! Pareço ter vivido isso. rsrs

    ResponderExcluir

Obrigada!!!