domingo, 9 de outubro de 2011

Nota sobre a histeria.


Nota sobre a histeria.

Se tivesse nascido no século XIX, seria a louca não por loucuras, mas sim por diagnóstico clínico. Sempre a ciência trabalhando para afirmar uma ideologia, e eu com a tecnologia da linguagem usando minha metalinguagem para ratificar o meu sistema de ideias. Sim, seria uma paciente do asilo de alienados do período Republicano brasileiro. Por quê? 

“[...] uma mulher cujo comportamento revelasse uma sexualidade anormal [ou seja, não estivesse ligada a reprodução*] e uma ausência ou insuficiência do amor materno seria histérica e, portanto, potencialmente criminosa.”p.328
Além disso:
“[...] desde pequena havia revelado um gosto pelo estudo.” p.327.
ENGEL, Magali. Psiquiatria e feminilidade. In: DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto/UNESP, 1997.

 Essas qualidades no século XIX definiam a mulher como louca, pois tinha um “erotismo desviante”(p.327),  uma falta de senso moral, uma fuga do instinto, ou seja, do natural. Caso  comprovado todos esses sintomas e outros que não relatei, as mulheres eram enclausuradas como alienadas e tornavam-se objeto de cirurgias ginecológicas e torturas ao seu órgão sexual.

Aleluia! [Lembrando Lispector] Mil vezes, glória por ter nascido um século depois...


*explicação minha.
®Naiana Freitas, o9 de outubro de 2011.

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