quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Quero a inverdade,pois a mentira não existe e preciso de uma teoria.


Quero a inverdade, pois a mentira não existe e preciso de uma teoria.

Se você sobe uma escada começa pelo primeiro degrau.  Seria até interessante subir iniciando pelo último, como naqueles textos de literatura maravilhosa, como nos filmes, como nos sonhos... Eu pensando em degrau, subindo o degrau, escorregando no degrau, arrastando-me  degrau abaixo. De repente cai e fui parar na emergência. Cai naquela sala de aula. Poderia continuar o texto, pincelando com as cores de minha imaginação, mas quando terminei de subir o degrau me perguntei: Por que quero ser professora? Por que sou professora? Se no mundo dos gritos, xingamentos, grades escolares não se sobe escada alguma, é uma queda livre. Alunos indiferentes e professores que nem podem desafiar o aluno com um grito porque não possuem mais voz. Professores sem atenção, caminhando sozinhos. Professores cansados. Cansados de lutar sozinhos. A escola como uma “incivilização” –se existiu civilização algum dia. Simplesmente minha sensação foi de aflição. Porque hoje me dei conta que a palavra educação desapareceu do mundo real. Deve ter fugido de vergonha por não ser entendida em quase parte alguma. Dei-me conta que as ilusões estão mais achadas nos discursos pedagógicos bem formulados. Dei-me conta que professor da educação regular é um ser em extinção, desamparado e sozinho. Dei-me conta que o rastro de sonho que habita neles é aquilo que os faz ficar em pé em uma sala de aula. Dei-me conta que suspiram sua ainda força-forte em suas aulas sussurradas, pois agora possuem um fio de voz. Dei-me conta que os alunos não são alunos, são afirmação. São uma afirmação inversa do inverso modelo de ser gente. Neste caso, sou ingênua porque uso a palavra afirmação em vez de deseducação, porque você se afirma considerando os outros em geral. Não é no grito que me enxergo gente. Dei-me conta, que certos alunos não contam com madureza. Eles não conhecem o diálogo e entendem que a conversa franca em tom baixo demostra lerdeza. Dei-me conta que se afrouxou tanto o laço, que hoje estamos subindo a escada de cima para baixo. E mesmo assim ainda quero ser professora. Como alguns poucos amigos desejam ser. Não por conhecerem todos os casos de colocação pronominal, regência, concordância, mas sim, por terem nascido professores, só ser professores, porque se fosse questão de inteligência eles seriam os melhores em qualquer profissão. E nós seremos fantasmas com uma caneta na mão nesta sociedade. Enfim, hoje me dei conta, que eu estava certa. Esse “dei-me conta...”só é um eufemismo, para explicar minha indignação.  Mas, Adorei fingir que não sabia disso tudo, e só soube hoje naquela visita, para conseguir explicar minha afeição de ser professora. Quero a inverdade, pois a mentira não existe e preciso de uma teoria.

®Naiana Freitas, 20 de outubro de 2011



2 comentários:

  1. Oi, Naiana, quando em meio a uma discussão pedagógica em que se digladiavam entre concepções de aprendizagem, eu tive a temeridade de dizer que o único segredo de tudo é o afeto, o amor, foi como se eu dissesse a coisa mais besta do mundo. Continuo acreditando no amor para salvar a educação, mesmo não sendo ouvida pelos pedagogos. Bjos. Aeronauta.

    ResponderExcluir
  2. Concordo. Eu acho que é esse sentimento que há dentro de mim. se não fosse já tinha abandonado o sarcedócio.Acho que vou escrever outro texto pq estou bastante indignada. risos
    abraços!!!
    :)

    ResponderExcluir

Obrigada!!!