quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"Macaco nunca olha para o rabo"

  Macaco nunca olha para o rabo

Nessa semana vi duas meninas que no máximo tinham dezesseis anos. Eram duas meninas bem mirradinhas de corpo, e com rostos infantis conversando animadamente em um ponto de ônibus. Esse retrato não tem nada de surpreendente e não terá mesmo quando contar a outra característica delas que se assemelhavam. As duas estavam grávidas com duas barrigas gigantes, como se tivessem esticado toda pele que podiam ao máximo. Em uma sociedade como a nossa, duas meninas podem estar na espera do seu segundo, terceiro ou quarto filho sem problema... Elas falavam sobre gravidez, nome do filho como se fizessem os planos para um futuro próximo, sem nenhum espaço para a preocupação. Elas interrompiam o bate-papo de vez em quando, para rir de quem passava... E depois retornavam para suas intimidades e devaneios. Até então nada mais natural, comentários bobos que muitas pessoas fazem de outras só porque são outras e não elas. De repente, eis que passam em nossa frente duas senhoras caminhando esportivamente, com adereços, roupas bem modernas próprias para a caminhada. Essas tenras meninas, com pequenos ou pequenas no ventre que se reunirão aos 7 bilhões de seres viventes, simplesmente pararam e riram muito, criticaram os trajes, acharam aquela cena um absurdo. Elas eram as moralistas encarnadas. E neste momento, só pensei naquele ditado popular: “macaco nunca olha para o rabo”.  O interessante é que elas não sabiam, tristemente não sabiam que a velhice é um processo implacável.   Enreda a todos em um dado momento sem aviso, e passar pela velhice jovem é a grande sabedoria. Mas, elas nem sabiam, não sabiam não, que podiam escolher não ter filho agora.

®Naiana Freitas, 30 de novembro de 2011.

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