quarta-feira, 18 de abril de 2012

Esboço Imperfeito do Amor Contemporâneo [PARTE III]

A gênese do amor filosófico...
“[...] Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar,veio para esmolar do festim a Pobreza,e ficou pela porta. Ora,Recurso,embriagado de néctar,pois vinho ainda não havia,penetrou o jardim de Zeus e,pesado,adormeceu. Pobreza então,tramando em sua falta de recurso engendrar um filho de Recurso,deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo de Afrodite o Amor,gerado em seu natalício,ao mesmo tempo que por natureza amante do belo,porque também Afrodite é bela. E por ser filho o Amor de Recurso e Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre,e longe está de ser delicado e belo,como a maioria imagina,mas é duro,seco,descalço e sem lar,sempre por terra e sem forro,deitando-se ao desabrigo,às portas e nos caminhos,porque tem a natureza da mãe,sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai,porém, ele é insidioso com o que é belo e bom,e corajoso,decidido e enérgico,caçador terrível, mago,feiticeiro,sofista:e nem imortal é sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ele germina e vive ,quando enriquece;ora morre e de novo ressuscita,graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa,de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece,assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância.”PLATÃO

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