quinta-feira, 31 de maio de 2012

Manifesto solitário


Esse é o mês da revolução no Estado da Bahia. Os acontecimentos recentes em Salvador me fizeram ter uma recordação histórica. Lembrei-me das revoltas da República Velha no Brasil. No entanto essas mesmas recordações trouxeram contentamento e desolação.

Primeiro, o contentamento, as pessoas estão reagindo mais e mais à centralidade do poder.

Mesmo que reajam rigidamente ao seu colega passageiro de ônibus lotado. Como por exemplo, nessa semana quase fui ao chão no ônibus porque um “senhor” passou por cima de mim para simplesmente sentar. Mas, ele estava mais cansado do que eu. E eu estou inteira.

Minha alegria vem dos levantes do povo. Eu avisei até a minha mãe que irei participar. Ela tem medo que me machuquem.  Neste caso, eu refiro-me a possível pulsão popular contra o aumento da passagem do transporte coletivo que é... Se fosse de usar palavrão usava. Mas, também o uso deles não resolve nada também.

A tristeza infelizmente sobrepuja a contentação. A greve de professores no Estado, não chegou ao fim e não chegará tão cedo. Parece que o governo se ausentou das negociações. E daqui a pouco, os professores estaduais serão os: “PROCURADOS” iguais em filmes de faroeste. Os alunos estão sem aula. E os poucos com perspectivas- essa é a atual geração- estão preocupados. Mas, para quê ter pessoas “estudadas” se lá na frente estamos todos amarrados ao fio esquisito e dourado do sistema central?

Quanto à greve nas Federais... Situação inominável. Pois, briguinhas políticas entre grupos políticos são mais arrasadores em uma instituição a favor da problematização. Muitas vozes são abafadas e homogeneizadas por imposição da coletividade. Que duvido até que exista nessa conjuntura atual. Aliás, coletividade para mim, só em intervenções físicas e não jurídicas.

Essa dúvida, como o título desse texto é reflexo de todos estes sistemas que atravessam o meu corpo e mente deste do dia, que levantei à cabeça naquela apresentação no ensino médio e fui contra tudo que havia planejado para aquele trabalho. E um manifesto solitário, é um produto maciço do “imediato-sistema” social.

Detesto estar em cima do muro, mas desta vez será minha saída. [acho que será]. Se fosse para haver greve, ela deveria impedir o início do semestre. Faltando um mês, eu concluinte da universidade Federal da Bahia. Estou anestesiada. Devido às pressões externas a minha profissão, que vista como a mais inútil pelos discursos de poder. E depois, eu que penso sempre nas mudanças e revoluções me deparo com “alunos” que se dizem grevistas mais que desejam greve para ficar mais tempo em casa para ir à praia, ao shopping, ao cinema...

Eu acho deveria fazer o mesmo. Esse semestre foi perfeito para concluir essa etapa pessoal.

Diz um ditado popular “quem sabe sua dor é quem geme.” Estou procurando uma versão da história para me encontrar. O jeito será ficar com a minha. Porque felizmente, não posso me fragmentar mais, vendendo minha alma.

Naiana Freitas, 31 de maio de 2012.

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