sábado, 16 de junho de 2012

Esbarrei com o mito de Pigmalião....



É interessante pensar como nunca estamos vencidos nesta vida. De repente eis que surge uma ideia, um estudo, uma curiosidade, imagem que te desperta do caos da repetição. Assim, até a última semana, eu não conhecia o mito de Pigmalião. Conheci-o nas discussões da aula de teatro em língua inglesa. Este mito é mais uma prova de como me rendo aos pés dos gregos e da sua fantástica máquina de inventar explicações para a vida. Neste caso, tenho particular atenção a essa cultura porque bebo na projeção de mundo do povo ocidental e blá-blá- blá, mas não vem ao caso discutir isto...

Encontrei esse mito “sob e sobre” a escrita de Bernard Shaw, na peça de mesmo nome: “Pygmalion”. De forma superficial, delineio o enredo da peça:  Eliza uma vendedora de flores deseja ser aceita socialmente. Para isto, ela busca aprimorar o seu inglês com a ajuda de um professor de fonética.  A peça traz, em minha opinião, o uso da linguagem como um degrau para alavancar socialmente. A linguagem neste caso pode estar metaforizada, pois podemos pensar no estudo científico como forma de ascensão.

O mito de Pigmalião conta-nos sobre a história de amor entre criador e criatura. O escultor admira sua criação, vive por ela e deseja-a em carne e osso. [Maiores informações sobre o mito em: http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0655] . Na discussão em teatro, estabeleci uma relação diferente entre o mito e a peça. Pois a fiz de acordo com um ponto de vista que, trazia como referencial o enredo da peça. Aqui, faço outra conexão com o mito, na verdade aproximo- o de minha realidade de tentar esculpir palavras.

Neste caso, não restrinjo a escultura de palavras à literatura, mas vou além, até as produções científicas. Pensei nisso, porque quando produzimos algo nesta vastidão de mundo, pensamos que estamos sendo tão originais. Pensamos que demos vida a um novo discurso... E criamos essa relação de amor com o que produzimos. Não que seja ruim, pois quem gosta de escrever sabe como um texto escrito mesmo com suas bobagens equivale a sessões e sessões com psicanalista e sem custo algum. Na verdade, fiquei pensando, na paixão que nos move para esculpir algo e depois cair de amores por isto, aquilo... E como assim como o escultor que ficou afastado da vida e das mulheres reais, somos compelidos a nos interiorizar mais e mais neste mundo cão que late para os escolhidos.

Referências:
Peça:PYGMALION By George Bernard Shaw http://www2.hn.psu.edu/faculty/jmanis/gbshaw/Pygmalion.pdf

Naiana Freitas, 16 de junho de 2012

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