sexta-feira, 8 de junho de 2012

Sobre Persuasão de Jane Austen.





A narrativa Persuasão é bastante familiar aos leitores de hoje, pois se assemelha a um enredo de uma comédia romântica. Neste caso, tal comparação não é depreciativa, pois em termos de qualidade estética o livro é inigualavelmente superior. Por quê? Porque este livro precede todas as narrativas fílmicas da atualidade. É um Clássico, como disse o Ítalo Calvino, e se utilizo o termo superior é porque não tenho nenhum outro termo para substitui-lo. Não faço uso de pedantismo.
Os termos como violação de honra, dote, herança, falência da aristocracia são bastante mencionados. A narrativa se desenvolve de forma linear, sem sobressaltos. Tudo está ali disposto de forma clara ao leitor e o que descobrimos em meio a narrativa os personagens também descobrem ao mesmo tempo em que nós. Para o leitor que gosta de fazer previsões, fazer conjecturas acerca das futuras ações do livro torna-se um divertido exercício.
Quanto a Anne Eliot senti uma profunda simpatia. Identifiquei-me com ela, seja por sua faixa etária, seja pelas suas inadaptações naquela sociedade que vivia. Jane Austen, através da personagem, desenvolve bons argumentos sobre a condição da mulher em sua época. Questionamentos que, seriam discutidos posteriormente pelo feminismo. Abaixo selecionei uma parte do diálogo entre a Anne Eliot e o capitão Harville.

[capitão Harville] - Mas deixe-me observar que todas as histórias estão contra a senhorita...todas as histórias prosa e verso.[...]poderia num instante apresentar-lhe cinquenta citações a favor do meu argumento e não acredito ter jamais aberto um livro na vida que não tivesse algo a dizer a respeito da inconstância feminina. Canções e provérbios, todos falam da volubilidade das mulheres. Mas talvez vá me dizer que foram todos escritos por homens.

[Anne Eliot] – Talvez. Sim, sim, por favor, sem referencias a exemplos em livros. Os homens sempre tiveram vantagens sobre nós ao contar a sua própria história. Sempre receberam um grau muito maior de instrução, a pena sempre esteve em mãos masculinas. Não permitirei que livros provem o que quer que seja.

(AUSTEN, 2011, p.236)

Referências:
AUSTEN, Jane. Persuasão. Tradução de Celina Portocarrero. Porto Alegre: L&PM, 2011.p.236. Coleção L&PM Pocket, v.948.

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