terça-feira, 31 de julho de 2012

Fugir




Sem saber ou sabendo
Você foge para mim: escuto-te
Sem certeza ou confiando
Você foge para mim: protejo-te
Sem dizer ou falando
Você foge para mim: consolo-te
Sem pedir ou exigindo
Você foge para mim: amo-te.


Sem querer ou querendo
Estás dentro de mim
Querendo: não te sufoco
Por isso foge para mim
Amar é pouco
Para nós.

Naiana Freitas, 22 de julho de 2012.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A sintaxe mais difícil do mundo ou sei lá o quê....


“[…] Exige-se tanto de quem ouve as palavras e os silêncios como se exigiria para sentir. Não, não é verdade. Para Sentir exige-se mais.”

Clarice Lispector

LISPECTOR, Clarice. Brincar de pensar. In: Idem. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p. 24

A poet´s life ....


“A poet´s life is his work and his work is his life in a special sense because- oh, I ´ve already talked myself breathless and dizzy.”

WILLIAMS,Tennessee. Suddenly Last Summer. New York: Signet Books, 1958.p.12

sábado, 28 de julho de 2012

Bem -vindo a parte boa de Salvador/BA II

foto: Naiana Freitas

foto:Naiana Freitas



**fotos tiradas na vista do Museu de Arte Moderna da Bahia(MAM) 


Naiana Freitas, 28 de julho de 2012
O mar sempre o mar!!


é a parte boa! 




terça-feira, 24 de julho de 2012

As nossas corruptíveis filas




Quem gosta de fila? Parece que a civilização passou a ser civilizada não com a invenção da roda, mas com a invenção da fila. Os amantes de fila replicarão: toda a fila tem um objetivo.

Por um lado, se observarmos a fila tem uma função: chegar a um ponto específico, ordenar as entradas e saídas das crianças da educação infantil... Não sei se a fila foi inventada na índia ou foram nossos índios que a elaboraram entre uma caçada aqui e acolá. Porque temos a fila indiana! Creio que na Índia, Chile, Portugal, Estados Unidos, Itália e Alemanha... Existam filas. A diferença das filas de lá para as das terras brasileiras deve ser a existência de características ímpares que transformam uma fila em fila. Aposto que as filas dos países do globo possuem início, meio e fim bem como uma função.

As daqui contêm entre um “fileiro” e outro uma espécie de jeitinho nosso de ser. Com certeza, você já deve ter sentido esse jeitinho roçar na sua nuca, enquanto espera, espera, espera. Recentemente, estive em uma coisa nomeada de fila. Aquela fila não possuía os atributos básicos de fila. Não sabíamos o inicio, a direção, nem enxergávamos o fim. Era uma fila Ad infinitum! Nesse mar sem fim, és que surge uma senhorinha idosa, com dificuldade de caminhar usando uma bengala e com uma menininha. Elas estacionam em minha frente. Eu as vejo, acho estranho. Porque aqui é assim, se você está na fila e vai resolver algo fora da fila comunica a quem espera próximo a você. Mas, fiquei com dó da senhora e pensei: o que é que tem ela ficar na minha frente? Não faz mal, o que ela iria me fazer? Tão indefesa tadinha. Ainda por cima, a menina me disse: “Moça será que tem fila de idoso? É porque ela não pode ficar muito tempo em pé...”. Serenamente aconselhei-a: “Vá ali ao início e peça ao funcionário para entrar primeiro e blá, blá, blá”. Senti-me praticando uma boa ação. Que alivio no coração! Porém, antes que a senhora e a netinha se deslocassem, surgem na minha frente para a minha amargura: a família inteira! O filho, a nora, a prima, a sogra... Eu morri de raiva! Quase tenho uma síncope.

Depois que o veneno da raiva abrandou. Pensei: Que família era aquela? Adulterou a vovô e a criança! Antes de vir ao cinema, eles devem ter orientado: “a senhora para em um lugar mais perto da entrada e perto da pessoa com mais cara de otária...” Eu fui à escolhida. E vi nascer uma corruptível fila brasileira!

Naiana Freitas, 24 de julho de 2012.

domingo, 22 de julho de 2012

A Coletânea dos dez céus....

Em épocas, locais diferentes a percepção minha do céu acima de mim:






















Nota da blogueira: 
As fotos são de minha autoria, tiradas em SP e SSA entre os anos de 2007, 2009 e 2010.


Para não perder os ângulos exponho-os aqui.


Naiana Freitas, 22 de julho de 2012.

Selo: Viva a amizade!



Naiana Freitas, 22 de julho de 2012.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Aos irmãos


Aos irmãos
Para Michele Pereira de Freitas e Djalma Leal de Freitas Jr.

Tenho irmãos de coração
E irmãos de corpo inteiro

Os primeiros chegaram,
Instalaram-se e nem perceberam
A amizade no meio...

Os segundos eu conheço-os desde que nasceram,
São a parte genética circunflexa em mim
São o meu abrigo e desvelo
Quando o assossego envolve-me demais
Sinto a falta que faz...

Os primeiros chegaram
Os segundos não
Porque trago-os em mim como uma canção
Que toco todos os dias desde que nasceram...

Sou irmã porque deles
Sou o riso com a piada que meu irmão faz
Sou ouvido com a conversa que minha irmã traz

Sou imensamente fã deles!
Naiana P. de Freitas, 19 de julho de 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Bem -vindo a parte boa de Salvador...

foto:NPF 


ótimo foco...
Bela vista..


Bem -vindo a parte boa de Salvador...Os recursos naturais que até não sei quando persistem.




Naiana Freitas, 18 de julho de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Pavilhão de Espelhos/Roberta Sá

Pavilhão de Espelhos/Roberta Sá

Não, eu não me arrependi de nada
Vida voa e o tempo é outro já
Você mudou e eu também
Tô aqui só pra saber que existe saudade
Ainda bem
Eu te vejo multiplicada em mil
Eu vim aqui pra ver você
Solta, vestida de lua na nuvem
Dança como se dançasse pra ninguém,
Ou só pra mim
Ainda bem
Noites cheias de céu vazio e vão
Cruzei o mar, estrada além
Tô aqui pra ver se ainda bate, pulsa
Ainda bem
Eu te vejo multiplicada em mil
Eu vim aqui pra ver você
Solta, vestida de lua na nuvem
Dança como se dançasse pra ninguém,
Ou só pra mim
Ainda bem
Noites cheias de céu vazio e vão
Cruzei o mar, estrada além
Tô aqui pra ver se ainda bate, pulsa
Ainda bem
Como num pavilhão de espelhos,
Sim, eu sei que vieram chuvas
Como num pavilhão de espelhos,
Sim, eu sei que vieram chuvas




Naiana Freitas, 17 de julho de 2012

Selo :Flor vermelha


Naiana Freitas, 17 de julho de 2012.

sábado, 14 de julho de 2012

Hum



Você diz: bom dia.
Sei que não é bom dia!
Depois, você diz hum.
Depois mais um hum.
E às vezes hum-hum.
Conheço seus huns.
E nem tão longe vou a teu pensamento.
São camadas de huns sem fim.
Que nem posso ir de tão longe.
Quando você diz bom dia,
É na intenção, intenção sua... Intenção de esconder a minha alma sua aflição.
Embora, você saiba e eu te confirmo agora: Até no silêncio eu sinto sua alma que chora.

Naiana Freitas, 11 de julho de 2012.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O meu amor/ Chico Buarque



Só poesia ignorei a canção:
O meu amor/ Chico Buarque
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

Naiana Freitas, 13 de julho de 2012.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Nova posologia



Como recomendação (não médica) eu devo elaborar no mínimo um texto por dia. A suspensão dessa medicação poderá ocasionar taquicardia ou em caso extremo poderá acarretar histeria.


Naiana Freitas, 10 de julho de 2012.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O nascimento do arco-íris....

Ondina Julho 2012/SSA 

Ondina Julho 2012/SSA 

Ondina Julho 2012/SSA 

Ondina Julho 2012/SSA 

Ondina Julho 2012/SSA 
Ondina Julho 2012/SSA







Ondina Julho 2012/SSA 


A evidência: As fotos


Naiana Freitas, 09 de julho de 2012.

sábado, 7 de julho de 2012

Quando penso...



Quando penso que precisamente hoje, eu estaria corporalmente e psicologicamente de férias sinto até um sobressalto. Se eu não tivesse planos para minha vida além da graduação estaria bem calma, relaxada sob o sol e água fresca.  Se minha impressão primeira, fosse me livrar da universidade, diria que já consegui isso. Na greve somente moscas e olhe lá visitam aquele ambiente...

Quando penso, que eu tinha aquela disciplina bestinha, bestinha que faltava apenas um texto... E aquela outra da espécie: “Termine de uma vez do que homeopaticamente.” Quando penso: Elas não existiriam mais para mim hoje. Seriam páginas viradas e enterradas. Mas...

Quando penso toda a força politica de meus colegas já sucumbiu.  Cada dia, cada hora e segundo. Quando penso: aquilo tudo foi um carnaval. Carnaval. Nada mais que greve-carnaval. Grevistas carnavalescos operando bandeiras que faziam alusão à ditadura. Saberão eles o que foi a ditadura? Só pelos livros, como eu. Aliás, lembro: a universidade em um instante aproximou-me da ditadura. Naquele dia, lembro. Alguns alunos fizeram uma piadinha sem graça. E uma professora interferiu. “Vocês não sabem o que foi aquilo, eu passei, minha família e amigos...” Ela chorou e relatou. De lá para cá, minha relação com a ditadura “não é mais enciclopédica” foi um pouco sentida. Quando penso que eles alinham todo esse movimento atual a esse momento passado...me dá nos nervos!

Quando penso, eu sou uma sem classe. Não apoiei meus colegas. Sinto uma imensa vontade de rir. E pergunto a mim: Porque não chorei com eles?  Eles choram ainda? Ou estão vivendo? E eu não? Quando penso que o termo consciência foi estilhaçado, dessecado, esfregado em minha cara todo tempo... Por uma coletividade tão cônscia – não de sua mesquinharia - que hoje: trabalha, badala na noite e na praia e nos intervalos lembram-se da bandeirinha...

Quando penso, a greve é nacional? A greve está sendo vista pelos outros eles? Quando penso, a festa é a copa, a tristeza é a queda no ranking da FIFA, a mobilização é em torno de uma Avenida Brasil.

Quando penso: as greves ferem nossa alma. A alma despedaçada dos estudantes brasileiros, que infelizmente não possuem autonomia diante da máquina.  O espirito perquiridor dos professores empurrado à repetição. O espectro afantasmado da sociedade civil que agonizante não sabe mais como alterar a sujeira nacional.

Quando penso, que estaria de férias hoje. Esperando a colação de grau. Quando penso admito meu interesse e eles não...

Quando penso: amanhã sim, amanhã... Posso quem sabe minar o sistema? Proliferando um vírus chamado: conscientização?


Naiana Freitas, 07 de julho de 2012.



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Moral da história

A QUEDA DE ÍCARO - Peter Paul Rubens(1936-1638)



Moral da história:
O orgulho só nos leva a queda. Já diziam os antigos.

Naiana Freitas, 05 de julho de 2012.


Deslocamentos [de interesses]

Como é bom ter uma televisão da oposição no centro!!

Viva aos deslocamentos de INTERESSES!!!


A máquina manobrando para a eleição de um prefeito.




Naiana Freitas, 05 de julho de 2012.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sobrevivi à pergunta




Há uns três meses atrás, li uma crônica de Cecília Meireles chamada: O livro da solidão. A pergunta que ela me fez por meio da escritura ficou martelando na minha cabeça esse tempo inteiro. Essa pergunta me persegue. Quando não é a pergunta é a resposta. No outro dia, me espantei rindo sozinha porque desta resposta. 

Na crônica lemos a pergunta: qual o livro você levaria a uma ilha deserta?  Eu fiquei matutando e matutando... Nunca pensei em uma resposta para uma pergunta dessas. Eu fiz uma armadilha para mim mesma. Eu não consegui responder de imediato, porque a cada escolha eu escorregava e voltada aos livros abandonados... Para solucionar minha querela e sobreviver à pergunta tive uma ideia: Entrevistar aos meus pares próximos. Perguntei a eles ansiosa. Pois até então, eu não tinha a minha resposta e sou ávida por respostas, por isso a astrologia.

Sem pestanejar, meu irmão disse: “Robinson Crusoé se estivesse em uma ilha e O mochileiro das galáxias caso estivesse perdido no espaço.” Ele afirmou que estes livros iriam ajudar nas dificuldades, seriam seus guias.  Imagina, ele sábio e com tanta certeza e eu na dúvida! Minha irmã foi mais longe: disse que em época de tecnologia para quê ela queria um livro? Levaria o computador.  Ainda foi ousada e perguntou se lá na ilha haveria hipoteticamente um wi-fi. Pode? Fiquei em gargalhadas. Depois, atrás de uma resposta mais próxima a mim... Fui perguntar a um tradutor – pesquisador em formação. Ele me pediu milhares de referências sobre a minha questão. Ou seja, indagações. Como estas: qual a estação do ano ele se perderia? Qual foi o motivo? Acidente ou vontade? E depois de tantos depois... Disse-me: levo um livro de grego!  Por ser difícil de compreender...

Quando ouvi estas respostas, a ansiedade passou um pouco. Pois, em uma verdade me agarrei: tudo depende de um referencial.  É como nas Leis da Física. É como nas greves, nas opiniões políticas e religiosas. É em tudo a nossa volta. Desde a matéria sólida até a discursiva. Assim, aliada a minha assertiva resolvi responder de vez a pergunta, quase gritando e em um só ar: A paixão segundo G.H!! Porque é o livro de Lispector mais difícil que li. Já reli. Não entendi, ou entendi? Ele na verdade me incomoda insuportavelmente... Ainda por cima, fiz um teste com a pergunta: Qual a personagem de Clarice Lispector que mais parece com você? E o aplicativo disse: “- A personagem que mais se aproximava a mim era a protagonista deste livro”.

Pelo excesso de segredo escondido lá, eu levaria este livro. Eu arrastaria anos para desvendar. Um divertido quebra-cabeça!  Espero que nessa ilha, tenha uma sombrazinha porque G.H e sol na cabeça... Não sei não.

A resposta de Meireles para a pergunta é: o dicionário. Com essa resposta recordei que durante dois anos de minha vida fui enfeitiçada pelos dicionários. E ainda tinha uma amiga que me acompanhava na feitiçaria. Ficávamos ditando palavras uma para outra com a seguinte questão: essa (palavra) existe no dicionário?

Acredito que agora expulsei a pergunta de mim... Quem sabe outras pessoas não responderão?

Naiana Freitas, 03 de julho de 2012.