terça-feira, 24 de julho de 2012

As nossas corruptíveis filas




Quem gosta de fila? Parece que a civilização passou a ser civilizada não com a invenção da roda, mas com a invenção da fila. Os amantes de fila replicarão: toda a fila tem um objetivo.

Por um lado, se observarmos a fila tem uma função: chegar a um ponto específico, ordenar as entradas e saídas das crianças da educação infantil... Não sei se a fila foi inventada na índia ou foram nossos índios que a elaboraram entre uma caçada aqui e acolá. Porque temos a fila indiana! Creio que na Índia, Chile, Portugal, Estados Unidos, Itália e Alemanha... Existam filas. A diferença das filas de lá para as das terras brasileiras deve ser a existência de características ímpares que transformam uma fila em fila. Aposto que as filas dos países do globo possuem início, meio e fim bem como uma função.

As daqui contêm entre um “fileiro” e outro uma espécie de jeitinho nosso de ser. Com certeza, você já deve ter sentido esse jeitinho roçar na sua nuca, enquanto espera, espera, espera. Recentemente, estive em uma coisa nomeada de fila. Aquela fila não possuía os atributos básicos de fila. Não sabíamos o inicio, a direção, nem enxergávamos o fim. Era uma fila Ad infinitum! Nesse mar sem fim, és que surge uma senhorinha idosa, com dificuldade de caminhar usando uma bengala e com uma menininha. Elas estacionam em minha frente. Eu as vejo, acho estranho. Porque aqui é assim, se você está na fila e vai resolver algo fora da fila comunica a quem espera próximo a você. Mas, fiquei com dó da senhora e pensei: o que é que tem ela ficar na minha frente? Não faz mal, o que ela iria me fazer? Tão indefesa tadinha. Ainda por cima, a menina me disse: “Moça será que tem fila de idoso? É porque ela não pode ficar muito tempo em pé...”. Serenamente aconselhei-a: “Vá ali ao início e peça ao funcionário para entrar primeiro e blá, blá, blá”. Senti-me praticando uma boa ação. Que alivio no coração! Porém, antes que a senhora e a netinha se deslocassem, surgem na minha frente para a minha amargura: a família inteira! O filho, a nora, a prima, a sogra... Eu morri de raiva! Quase tenho uma síncope.

Depois que o veneno da raiva abrandou. Pensei: Que família era aquela? Adulterou a vovô e a criança! Antes de vir ao cinema, eles devem ter orientado: “a senhora para em um lugar mais perto da entrada e perto da pessoa com mais cara de otária...” Eu fui à escolhida. E vi nascer uma corruptível fila brasileira!

Naiana Freitas, 24 de julho de 2012.

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