sábado, 7 de julho de 2012

Quando penso...



Quando penso que precisamente hoje, eu estaria corporalmente e psicologicamente de férias sinto até um sobressalto. Se eu não tivesse planos para minha vida além da graduação estaria bem calma, relaxada sob o sol e água fresca.  Se minha impressão primeira, fosse me livrar da universidade, diria que já consegui isso. Na greve somente moscas e olhe lá visitam aquele ambiente...

Quando penso, que eu tinha aquela disciplina bestinha, bestinha que faltava apenas um texto... E aquela outra da espécie: “Termine de uma vez do que homeopaticamente.” Quando penso: Elas não existiriam mais para mim hoje. Seriam páginas viradas e enterradas. Mas...

Quando penso toda a força politica de meus colegas já sucumbiu.  Cada dia, cada hora e segundo. Quando penso: aquilo tudo foi um carnaval. Carnaval. Nada mais que greve-carnaval. Grevistas carnavalescos operando bandeiras que faziam alusão à ditadura. Saberão eles o que foi a ditadura? Só pelos livros, como eu. Aliás, lembro: a universidade em um instante aproximou-me da ditadura. Naquele dia, lembro. Alguns alunos fizeram uma piadinha sem graça. E uma professora interferiu. “Vocês não sabem o que foi aquilo, eu passei, minha família e amigos...” Ela chorou e relatou. De lá para cá, minha relação com a ditadura “não é mais enciclopédica” foi um pouco sentida. Quando penso que eles alinham todo esse movimento atual a esse momento passado...me dá nos nervos!

Quando penso, eu sou uma sem classe. Não apoiei meus colegas. Sinto uma imensa vontade de rir. E pergunto a mim: Porque não chorei com eles?  Eles choram ainda? Ou estão vivendo? E eu não? Quando penso que o termo consciência foi estilhaçado, dessecado, esfregado em minha cara todo tempo... Por uma coletividade tão cônscia – não de sua mesquinharia - que hoje: trabalha, badala na noite e na praia e nos intervalos lembram-se da bandeirinha...

Quando penso, a greve é nacional? A greve está sendo vista pelos outros eles? Quando penso, a festa é a copa, a tristeza é a queda no ranking da FIFA, a mobilização é em torno de uma Avenida Brasil.

Quando penso: as greves ferem nossa alma. A alma despedaçada dos estudantes brasileiros, que infelizmente não possuem autonomia diante da máquina.  O espirito perquiridor dos professores empurrado à repetição. O espectro afantasmado da sociedade civil que agonizante não sabe mais como alterar a sujeira nacional.

Quando penso, que estaria de férias hoje. Esperando a colação de grau. Quando penso admito meu interesse e eles não...

Quando penso: amanhã sim, amanhã... Posso quem sabe minar o sistema? Proliferando um vírus chamado: conscientização?


Naiana Freitas, 07 de julho de 2012.



Um comentário:

  1. OI, Colega!!!
    Adorei teu texto!! muito bom!!!!!

    Muito bom este seu desabafo desiludido e desaforado pedindo conscientização desta coletividade tão cônscia dos nossos cenários atuais soteropolitanos Ufbahianos!!!!, gostei desta sua expressividade, valeu!!! Eu estou contigo solidaria na crítica. Mas, queria te dizer, que não fazer parte desta alienação geral é que faz a diferença e é a única esperança para o futuro educacional nacional. Portanto, não esmoreça, vá adiante e solte a sua voz agora e depois!!!"Porque gente é pra brilhar e não para morrer de fome".
    Em nosso tempo, que deveria ser de transformação política, não é possível mais haver mentalidades tão comodistas e a reação terá que vir mais cedo ou mais tarde, espero que no caso do Brasil, ela se processe logo ou antes tarde do que nunca, mas venha de forma integral e amadurecida politicamente, sobretudo advinda do seio da UFBA, e, enquanto isto não acontece, coloque sempre estes protestos por onde tu passares como semente de um novo amanhã. Quem sabe a sua função não é esta? e é uma importante contribuição saiba...

    ResponderExcluir

Obrigada!!!