quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sobrevivi à pergunta




Há uns três meses atrás, li uma crônica de Cecília Meireles chamada: O livro da solidão. A pergunta que ela me fez por meio da escritura ficou martelando na minha cabeça esse tempo inteiro. Essa pergunta me persegue. Quando não é a pergunta é a resposta. No outro dia, me espantei rindo sozinha porque desta resposta. 

Na crônica lemos a pergunta: qual o livro você levaria a uma ilha deserta?  Eu fiquei matutando e matutando... Nunca pensei em uma resposta para uma pergunta dessas. Eu fiz uma armadilha para mim mesma. Eu não consegui responder de imediato, porque a cada escolha eu escorregava e voltada aos livros abandonados... Para solucionar minha querela e sobreviver à pergunta tive uma ideia: Entrevistar aos meus pares próximos. Perguntei a eles ansiosa. Pois até então, eu não tinha a minha resposta e sou ávida por respostas, por isso a astrologia.

Sem pestanejar, meu irmão disse: “Robinson Crusoé se estivesse em uma ilha e O mochileiro das galáxias caso estivesse perdido no espaço.” Ele afirmou que estes livros iriam ajudar nas dificuldades, seriam seus guias.  Imagina, ele sábio e com tanta certeza e eu na dúvida! Minha irmã foi mais longe: disse que em época de tecnologia para quê ela queria um livro? Levaria o computador.  Ainda foi ousada e perguntou se lá na ilha haveria hipoteticamente um wi-fi. Pode? Fiquei em gargalhadas. Depois, atrás de uma resposta mais próxima a mim... Fui perguntar a um tradutor – pesquisador em formação. Ele me pediu milhares de referências sobre a minha questão. Ou seja, indagações. Como estas: qual a estação do ano ele se perderia? Qual foi o motivo? Acidente ou vontade? E depois de tantos depois... Disse-me: levo um livro de grego!  Por ser difícil de compreender...

Quando ouvi estas respostas, a ansiedade passou um pouco. Pois, em uma verdade me agarrei: tudo depende de um referencial.  É como nas Leis da Física. É como nas greves, nas opiniões políticas e religiosas. É em tudo a nossa volta. Desde a matéria sólida até a discursiva. Assim, aliada a minha assertiva resolvi responder de vez a pergunta, quase gritando e em um só ar: A paixão segundo G.H!! Porque é o livro de Lispector mais difícil que li. Já reli. Não entendi, ou entendi? Ele na verdade me incomoda insuportavelmente... Ainda por cima, fiz um teste com a pergunta: Qual a personagem de Clarice Lispector que mais parece com você? E o aplicativo disse: “- A personagem que mais se aproximava a mim era a protagonista deste livro”.

Pelo excesso de segredo escondido lá, eu levaria este livro. Eu arrastaria anos para desvendar. Um divertido quebra-cabeça!  Espero que nessa ilha, tenha uma sombrazinha porque G.H e sol na cabeça... Não sei não.

A resposta de Meireles para a pergunta é: o dicionário. Com essa resposta recordei que durante dois anos de minha vida fui enfeitiçada pelos dicionários. E ainda tinha uma amiga que me acompanhava na feitiçaria. Ficávamos ditando palavras uma para outra com a seguinte questão: essa (palavra) existe no dicionário?

Acredito que agora expulsei a pergunta de mim... Quem sabe outras pessoas não responderão?

Naiana Freitas, 03 de julho de 2012.

Um comentário:

  1. AH,AH,kkkkkk aarrrrrrrrrrr! Eu talvez levaria "O pequeno príncipe" para sonhar e refletir sobre a vida, nas horas difíceis. Eu adoro este livro, a semana passada mesmo, assisti ao filme e amei!!!Realmente é maravilhoso...

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Obrigada!!!