segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Minha Casa/ Zeca Baleiro



É mais fácil

Cultuar os mortos

Que os vivos

Mais fácil viver

De sombras que de sóis

É mais fácil

Mimeografar o passado

Que imprimir o futuro...

Como o poeta que envelhece

Lendo Maiakóvski

Na loja de conveniência

Não quero ser alegre

Como o cão que sai a passear

Com o seu dono alegre

Sob o sol de domingo...

Como quem constrói estradas

E não anda

Quero no escuro

Como um cego tatear

Estrelas distraídas

Quero no escuro

Como um cego tatear

Estrelas distraídas...

No passeio público

Amores secretos

Debaixo dos guarda-chuvas

Tempestades que não param

Pára-raios quem não tem

Mesmo que não venha o trem

Não posso parar

Tempestades que não param

Pára-raios quem não tem

Mesmo que não venha o trem

Não posso parar...

Como passa

Uma escola de samba

Que atravessa

Pergunto onde estão

Teus tamborins?

Pergunto onde estão

Teus tamborins?

Sentado na porta

De minha casa

A mesma e única casa

A casa onde eu sempre morei

A casa onde eu sempre morei

A casa onde eu sempre morei..


Naiana Freitas, 03 de setembro de 2012.

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