sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Uma direta imersão em Nietzsche...



A postagem é apenas sinalizadora. É para o blog registrar mais uma leitura de “alemães” minha. Depois de Rilke, Goethe, Freud, Schnitzler, Hesse... Falta mais alguém?  Iniciei um contato de primeiro grau com Nietzsche. É de primeiro grau, porque até hoje só o li por terceiros.  E nessa leitura, me dei conta que conheci até alguns escritores alemães. Nada premeditado. Encontrei com eles em momentos diferentes, mas sempre trazem a inquietude dosada a bons conselhos ao silêncio íntimo.  Também não sei se estou recordando disto devido a umas aulas de alemão que estou frequentando. Ouvir o alemão é cômodo para mim, muito mais suave do que o espanhol ou português lusitano. Embora, seja menos compreendido...
Eu estou em falta com Hesse, porque prometi falar dele no blog. Agora me pergunto, prometi a quem? Acho que a ele. (risos). Sem disponibilidade para escrever um texto sobre ele, pois meu texto não captaria de jeito à euforia que o li. Deixei passar... E passando de mão em mão, eis que alcanço o Nietzsche.  Eu até fiquei temerosa de lê-lo, mas a curiosidade nestes tempos mata algum leitor? Acho que mata de raiva de vez enquanto... Fogueiras só metafóricas ou simbólicas para ser mais precisa...
Como homens de tempos diferentes, posições ideológicas distintas e algumas vezes discordantes, podem tocar a existência para frente, enxotar os embaralhementos sociais? Como eu posso lê-los de forma desesperada? E arregalando os olhos e dizendo: Nossa... Verdade... Esse cara pensou sobre isso... Não você é louco... Discordo... Eu falaria isso... Que raiva hein? Nunca pensei... Realmente para a época... Ou: sublinhando as frases, escrevo risos, digo alto tudo isso... E minha irmã sempre me responde achando que converso com ela. Tenho que parar e dizer: nada não, tô falando com o texto...
Ainda estou no meio do livro, atravessando as limitações do tempo em um exercício na busca de refúgio, de conversa, silêncio, euforia, dissipar e reunir meu pensamento com a leitura... E o Ecce homo, está todo retalhado em meus pedacinhos de papel. Estou me contendo para não riscá-lo... O livro nem meu é... Ou será? sabe-se lá...
Para comemorar a imersão, selecionei esse trecho inserido no fim do texto. Acho que é isso que faço: leio para me livrar de mim, conhecer o desconhecido, retirar-me de minha seriedade ou do mundo inteiro... Na verdade, o título desse texto deveria ser uma segunda imersão do livro... Pois, foi o livro que mergulhou em minha bolsa um dia desses nessa chuva fora de estação de Salvador. Tentando ser prática... Crio situações engraçadas. Situações-piada. O bom é que molhado o livro materialmente me retirou da condensação de seriedade da qual sou composta... Esse causo resultou em muito riso, em gargalhada. Nietzsche, eu estou te vasculhando, eu espero encontrar discordâncias e afinidades com a sua leitura.

“[...] No meu caso, faz parte da minha recreação ler tudo: consequentemente, ler aquilo que me livra de mim mesmo, que me deixa passear em ciências e almas desconhecidas- aquilo que não levo mais a sério. Ler me relaxa de minha própria seriedade.”

Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Ecce homo: de como a gente se torna o que a gente é. Tradução e organização Marcelo Backes. Porto alegre: L&PM, 2012. Coleção L&PM Pocket. p.51

Naiana Freitas, 12 de outubro de 2012.

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