sábado, 24 de novembro de 2012

Jacobina/Bahia

foto:NPF

foto:NPF

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Estas fotos foram tiradas em novembro na cidade de Jacobina/BA.  Cinco horas em média é o tempo gasto de ônibus para completar o percurso: Salvador - Jacobina.  É uma cidade bonita, agradável  com um pessoal hospitaleiro.  Na medida do possível é urbana, já que é encravada no meio das serras. É válido passar por lá, para respirar um ar menos pesado em dióxido de carbono.  Nas andanças pelas ruas com paralelipípedos   é possível observar que a cidade é do "interior" porque muitas vezes você é encarado ao caminhar pela cidade. Acho que em salvador temos perdido um pouco disso, um ou outro se mostra curioso pelo outro...Nas cidades do interior da Bahia que tenho passado, posso observar esse rastro de curiosidade por parte dos habitantes locais. Andei muito, mas não o suficiente para conhecer as cadeias de montanhas de perto, nem as cachoeiras.  A única que conheci estava seca. A cidade enfrenta um estiagem violenta. E como não fui preparada para fazer trilhas em rochedos é melhor deixar para próxima... É um bom lugar para  pagar promessa já tem um cruzeiro com quatrocentas e pouquinhas escadas com uma cruz ao cume.(Risos). Estas fotos foram tiradas do alto, do fim das escadarias. É preciso fôlego,  só esse é o custo para vislumbrar a paisagem de lá.. A cidade possui uma boa oferta de hospedarias o que é melhor ainda, com um bom café da manhã. Quem quiser sair do ritmo, perder a noção de tempo, é bom viajar...se puder escolher melhor...acho que Jacobina me fez bem.  A cidade funcionou como um remédio, bem à moda de séculos passados. 

Naiana Freitas, 24 de outubro de 2012. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Entre mim e ti



Entre mim e ti,
O que sempre há...
É a dor
Não a dor de nós.

Entre mim e ti,
O que sempre há...
É a dor sua:
Da vida;
Do existir;
Do corpo.

Não quer nenhuma dor sua em mim
Sou demais viva para a sua morte
Disse-me não uma, mas mais de dez vezes.

Eu não quero nenhuma dor sua em você próprio.
Se a vivez minha fosse tão forte...
Destronava a sua dor
Desde a raiz.

 Naiana  Freitas, 02 de setembro de 2012.

acostumar...

Para me acostumar e não perder a piada: Coloquei um dos três anéis que ganhei de formatura no dedo, na intenção de lembrar: você é professora agora! Vá procurar fazer alguma coisa na vida... Como trabalhar por exemplo. (risos)
 :D

Naiana Freitas, 23  de novembro de 2012.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Em um ponto qualquer do Subúrbio Ferroviário da Cidade de Salvador.







Estas fotografias foram tiradas em outubro de 2012.

Muitas pessoas vão duvidar da origem destas fotos...Isto porque, elas vêem esta cena todos os dias e creio que não encontram nada de belo...

Em um ponto qualquer do subúrbio ferroviário da Cidade de Salvador eis que surge aos meus olhos estas belezas!

Naiana Freitas, 13 de novembro de 2012.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Próximo...



“[...] E, quando fui escrever, topei com ela já nas primeiras palavras. Suas asas fizeram sombra na página; ouvi o farfalhar de suas saias no quarto. Quer dizer, na hora em que peguei a caneta para resenhar aquele romance de um homem famoso, ela logo apareceu atrás de mim e sussurrou: “Querida, você é uma moça. Está escrevendo sobre um livro que foi escrito por um homem. Seja afável; seja meiga; lisonjeie; engane; use todas as artes e manhas de nosso sexo. Nunca deixe ninguém perceber que você tem opinião própria. E principalmente seja pura [...] Fui para cima dela e agarrei-a pela garganta. Fiz de tudo para esganá-la. Minha desculpa, se tivesse de comparecer a um tribunal, seria legítima defesa. Se eu não a matasse, ela é que me mataria. Arrancaria o coração de minha escrita.[...] Assim, toda vez que eu percebia a sombra de sua asa ou o brilho de sua auréola em cima da página, eu pegava o tinteiro e atirava nela. Demorou para morrer. Sua natureza fictícia lhe foi de grande ajuda. É muito mais difícil matar um fantasma do que uma realidade...”

Woolf, Virginia. Profissões para mulheres e outros artigos feministas. Tradução de Denise Bottmann. Porto alegre: L&PM, 2012. p. 9-15.

Este é um trecho do próximo livro que lerei. Encontrei por acaso no site da editora LPM. Li a amostra que eles disponibilizam lá.  Será que se pode indicar um livro lendo apenas seis páginas? Só sei que as seis páginas me convenceram a ler o livro inteiro. Espero encontrá-lo... Porque tem um tempinho que busco o “Um teto todo seu” da própria autora...

Segue o link do site da editora L&PM:

Naiana Freitas, 09 de novembro  de 2012.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Enfim, graduada...




Hoje, 08 de novembro de 2012, faz oito dias que colei grau. Colei grau, diplomei, virei professora formada como alguns ficaram brincando comigo. Nessa passagem, receber um canudo com um papel dentro não reflete em nada o que passei durante os cinco anos na universidade pública.  Os anos iniciais foram marcados por insegurança, medo de ter largado oportunidades de emprego, que para uma jovem suburbana no Brasil eram perfeitas, depois chegaram os tempos em que pensei: passarei pela universidade intocável, sem conhecer ninguém, sem reconhecer ninguém, sem participar de nada... Foram cinco anos aparentemente longos quando escrevo hoje, mas no exercício deles considerei-os pesados. Cursei cinquenta disciplinas, divididas entre as línguas: inglesa e portuguesa. Foram cinco anos de esforço. Puro esforço.

Como diz uma amiga: “Desde o segundo semestre sabíamos quem iria sobreviver” e todas as vezes que nos encontrávamos dizíamos: “estamos sobrevivendo...”. Eu posso dizer agora: sobrevivi! Porque formalmente completei uma parte de minha trajetória. Recebi o diploma. Fiquei olhando para ele, bastante desconfiada: és tu? O tão desejado... Antes de tê-lo nas mãos, tive um semestre conturbado no meio do caminho. Semestre de greves, assombros, doenças familiares, disciplinas noturnas, aulas de estágio supervisionado puxadas, dolorosas, cansativas... Volta para casa às 23h. Ida para a faculdade às 7h. Noites insones, preocupações, preocupações, CANSAÇO!  Nunca escrevi tanto em agenda, o esquecimento foi constante, uma consequência de ter os nervos tensionados ao limite. A mente cansada e o corpo fragilizado. Neste contexto, necessário não foi à inteligência, mas a vontade de querer chegar com vida a outro ponto. Ainda por cima, “Cai de gaiata” em uma comissão de formatura.

Até ontem, me perguntava: onde você foi parar? Como eu fui parar aqui... Parecendo aquela sensação nonsense de Lewis Carroll. A diferença é que não havia toca de coelho, gato falante... Eu fui adentrando o espaço, porque eu disse: sim, Posso! Poderia ter dito: não, não obrigada. Não, não estou interessada... Mas, fui pega por uma coisa que amo: ESCREVER.  Devido a esse ato de escrevinhar me envolvi nos papéis da comissão de formatura... Depois de tudo, aconselho a qualquer um, diga: não! Desista de qualquer atividade intitulada com esse nome: COMISSÃO. (risos) Depois que elaboramos o convite, nós fizemos muito trabalho braçal. Muita paciência. Nós fomos sugadas para um buraco negro intergaláctico chamado: solenidade. Todos os esforços foram para que esse dia acontecesse. Tudo. Nunca falei tanto ao telefone, nunca respondi tantos e-mails, nunca tive que decidir tanto por outras pessoas, pois nunca podíamos dizer: amanhã resolveremos.  Isso sim foi um rito de passagem. Isso foi crescer, ou como disse em um agradecimento: AGIGANTEI-ME de tal forma que assustei as minhas vibras, emoção e alma.  Nessa comissão o importante ainda estava por nascer: laços de amizade. Laços afetivos entre meninas tão-tão diferentes. E todas as palavras escritas aqui, nunca alcançarão o grau máximo de lisonja.  Às vezes você inspira confiança sem perceber.  E parece que expirei tanto segurança, ou gosto por trabalho que recebi até uma homenagem. Linda homenagem, que sinceramente nunca pensei receber. Nunca esquecerei.

Nesse último semestre, minha sensação foi que eu estava sob e sobre camadas.  Camadas que se interligavam e outras não.  Pessoas do início de graduação eu reencontrei, outras nunca havia cruzado pelas esquinas do ILUFBA.  Eu era mil pessoas dentro de mim. E em cada espaço uma de mim se comportava de maneira tão exemplar, transparecendo pouco o que cada uma de mim sentia.  A verdade, é que tive apoio. Como diz minha mãe, quando você deseja e se esforça o universo ajuda. Minha família, meu bem mais precioso, ou o único bem que tenho na vida foi o meu refúgio e fortaleza contra tudo, contra o mal. A felicidade deles, tornou-se minha, pois até a solenidade: eu era apenas cansaço! Minha irmã estava tão feliz, ela era a formanda, gritou tanto, fez tanta festa. Meu irmão: o piadista, o fotógrafo. Meu avô: só dizia foi lindo demais. Ele aos 84 anos dizendo isso é mais lindo ainda. Meus pais foram: nervoso e choro. E nunca vão esquecer a filha deles, brilhando... Essa minha família é estendida. Estende-se até você, minha companhia durante esse tempo inteiro. Meus amigos (de longe e de perto) eu sei o quanto torceram por mim, vibraram e curtiram todas as fotos do Facebook. Se se pode escolher, escolhi muito bem, as POUCAS pessoas presentes em minha vida.

Neste instante, penso como meus medos dos anos iniciais foram superados. Conheci muita gente na Universidade, fiz amigos de pura afinidade, como também colegas de trabalho. Nossa! Conheço professores que acenam para mim, e sempre respondo: oi professor (A), não por ter esquecido o nome deles, mas porque chamar professor, para mim, é um orgulho e um respeito. Eu que pensei que passaria pela universidade: sem participar de nada, tornei-me arroz de evento... Eu que pensei que passaria pela universidade: Sem ser percebida, fui aceita na pesquisa, e gosto de pesquisar e descobrir. Vejo quanto o que pesquiso se amplia para fora de mim, o quanto admiro quem me guia. Ontem, sete dias após a colação de grau, recebi: parabéns. Parabéns de professoras que tanto gosto...

O que farei agora? Continuarei andando um pouco mais segura pelos caminhos acadêmicos e além-acadêmicos. Buscarei mais força, persistência e paciência em mim, porque sei onde quero chegar. Hoje, tenho menos pressa. Porque a ânsia atrapalha a vida. Tenho que plantar, para colher alguma coisa que valha. Nestes oito dias passados, o rastro da euforia vai desaparecendo e eu vou retornando ao meu dia-dia sem nenhuma mudança.  Quer dizer, no perfil do blog, sou licenciada... Dentro de mim CONTINUO eu. Acho que menos vacilante, menos  criança, menos frágil .... De uma coisa não tenho medo: dinheiro. Ele nunca encheu meus olhos, só minha barriga nos momentos necessários.  E realmente, sou uma fora de moda. Gosto de fazer o que gosto, eu pago caro pela liberdade que tenho, e posso andar de chinelo sem problemas. Hoje, depois de oito dias com o diploma na mão, posso dizer, como resposta a pergunta: o que você quer fazer da vida? Sem hesitar, responderia: escolho o caminho das letras.

Naiana Freitas, 08 de novembro de 2012.