quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Nel mezzo del camin.../Olavo Bilac

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.



Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/bilac2.html#nel. Acesso em: 28 de fev. de 2013.


Naiana Freitas, 28 de fevereiro de 2013. 

 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Citação: Maxime Du Camp

"- Tenho medo de parar; é o instinto de minha vida."
Maxime Du Camp



Naiana Freitas, 25 de fevereiro de 2013.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Descarnada morte...



Ocasionalmente me deparo com a morte. Ela sempre me macera e angustia. Ela não tem descarnados dentes, foice ou capuz. Ela é sempre nua e fria. De longe a espio, pois não quero intimidade... Sei que meu desejo é sem vontade. Porque quando ela romper em minha vida de verdade, não será por opção minha.


Naiana Freitas, 19 de fevereiro de 2013.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Vandalismo/Augusto dos Anjos

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!


Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=511#ixzz2LgAI4j7H 
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives



Naiana Freitas, 22 de fevereiro de 2013.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Bahia do carnaval aos “ismos”...



Os acontecimentos dessa semana na Bahia permitem afirmar que a terra da alegria é essa, pois nem bem saímos do carnaval e já estamos envoltos em novas questões bem mais ideológicas. O povo da Bahia tem vigor... As manifestações estão se tornando frequentes em nossa região, e adquirindo índoles diversas: seja queimar um pneu, seja levantar uma bandeira teórica.

No primeiro caso, algumas más línguas, afirmam que são bárbaros que promovem esse tipo de ato, pois é povo sem educação que queima pneu impossibilitando os transeuntes. Isso é claro, só pode ser visto em bairros periféricos. No segundo caso, são intelectuais saídos da universidade ou ainda universitários promovendo marchas e raspas ao modelo de sociedade vigente. Em ambas as ocasiões, a figura do questionar está sem sombra de dúvidas presente. Pena que a opinião pública legitima sempre os segundos em prejuízo dos primeiros.

Em Ruy Barbosa, uma feminista exaltada ao ser entrevistada afirmou: “apenas 2% dos responsáveis por violência sexual a mulher são punidos, como ele quer que fiquemos caladas?” [Mais ou menos isso, ela disse]. O ele explícito nessa fala refere-se ao comandante da polícia militar que tentava por ordem no local. Enquanto isso, (mais) uma mulher morria na capital vítima de violência doméstica, provocada por seu marido. Ela foi tortura e incendiada, como a jovem-esposa que faleceu no interior semana passada.

Até os comunistas apareceram depois do carnaval. Mesmo que alguns deles tivessem na mão um I-phone e chegassem com um carro importado. Gritavam: Fora, imperialista!( ou qualquer outra coisa muito parecida).Na verdade, nunca pensei que poderia ver uma manifestação como essa em nossa região. E pensei, as dicotomias estão mais fortes do que nunca. Mesmo que os teóricos me afirmem o contrário...

Eu fiquei embasbacada porque nessa semana descobri que a Bahia abriga os herdeiros de todas as teorias.   O velho comunismo ressurge em faces tão jovens... Essa juventude deve fazer falta para o Fidel. Para os desavisados, não discuto o cerne dessa teoria. Indago algo mais profundo: onde está esse comunismo puro? E quem são esses comunistas baianos?

É nessa semana descobri que a Bahia “é de todos enfim...” E o baiano é mais que carnaval. Que se cuide o resto do País... Pois, os filhos do comunismo na Bahia são convincentes, mas não para mim.

Naiana Freitas, 20 de fevereiro de 2013.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A valsa/ Casimiro de Abreu


Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co'as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranquila,
Serena,
Sem pena
De mim!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...


Valsavas:
— Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros,
Os olhos
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias,
P'ra outro
Não eu!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...


Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem ?!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas,..
— Eu vi!...



Calado,
Sozinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!


Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!


Quem dera
Que sintas!...
— Não negues
Não mintas...
— Eu vi!


Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então;
Qual pálida
Rosa


Mimosa
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida.
No chão!


Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
Eu vi!


Naiana Freitas, 19 de fevereiro de 2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Carta_Mario Quintana



Meu caro poeta,

Por um lado foi bom que me tivesses pedido resposta urgente, senão eu jamais escreveria sobre o assunto desta, pois não possuo o dom discursivo e expositivo, vindo daí a dificuldade que sempre tive de escrever em prosa. A prosa não tem margens, nunca se sabe quando, como e onde parar. O poema, não; descreve uma parábola traçada pelo próprio impulso (ritmo); é que nem um grito. Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emotiva, como o fariam os românticos. Deve, sim, trazer uma carga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração só o tempo dirá. Por isso há versos de Camões que nos abalam tanto até hoje e há versos de hoje que os pósteros lerão com aquela cara com que lemos os de Filinto Elísio. Aliás, a posteridade é muito comprida: me dá sono. Escrever com o olho na posteridade é tão absurdo como escreveres para os súditos de Ramsés II, ou para o próprio Ramsés, se fores palaciano. Quanto a escrever para os contemporâneos, está muito bem, mas como é que vais saber quem são os teus contemporâneos? A única contemporaneidade que existe é a da contingência política e social, porque estamos mergulhados nela, mas isto compete melhor aos discursivos e expositivos, aos oradores e catedráticos. Que sobra então para a poesia? - perguntarás. E eu te respondo que sobras tu. Achas pouco? Não me refiro à tua pessoa, refiro-me ao teu eu, que transcende os teus limites pessoais, mergulhando no humano. O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade." E o poeta, quanto mais individual, mais universal, pois cada homem, qualquer que seja o condicionamento do meio e e da época, só vem a compreender e amar o que é essencialmente humano. Embora, eu que o diga, seja tão difícil ser assim autêntico. Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos!
Meu poeta, se estas linhas estão te aborrecendo é porque és poeta mesmo. Modéstia à parte, as digressões sobre poesia sempre me causaram tédio e perplexidade. A culpa é tua, que me pediste conselho e me colocas na insustentável situação em que me vejo quando essas meninas dos colégios vêm (por inocência ou maldade dos professores) fazer pesquisas com perguntas assim: "O que é poesia? Por que se tornou poeta? Como escrevem os seus poemas?" A poesia é dessas coisas que a gente faz mas não diz.
A poesia é um fato consumado, não se discute; perguntas-me, no entanto, que orientação de trabalho seguir e que poetas deves ler. Eu tinha vontade de ser um grande poeta para te dizer como é que eles fazem. Só te posso dizer o que eu faço. Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre em qualquer parte, nas ocasiões mais insólitas. A esta imagem respondem outras. Por vezes uma rima até ajuda, com o inesperado da sua associação. (Em vez de associações de ideias, associações de imagem; creio ter sido esta a verdadeira conquista da poesia moderna.) Não lhes oponho trancas nem barreiras. Vai tudo para o papel. Guardo o papel, até que um dia o releio, já esquecido de tudo (a falta de memória é uma bênção nestes casos). Vem logo o trabalho de corte, pois noto logo o que estava demais ou o que era falso. Coisas que pareciam tão bonitinhas, mas que eram puro enfeite, coisas que eram puro desenvolvimento lógico (um poema não é um teorema) tudo isso eu deito abaixo, até ficar o essencial, isto é, o poema. Um poema tanto mais belo é quanto mais parecido for com o cavalo. Por não ter nada de mais nem nada de menos é que o cavalo é o mais belo ser da Criação.
Como vês, para isso é preciso uma luta constante. A minha está durando a vida inteira. O desfecho é sempre incerto. Sinto-me capaz de fazer um poema tão bom ou tão ruinzinho como aos 17 anos. Há na Bíblia uma passagem que não sei que sentido lhe darão os teólogos; é quando Jacob entra em luta com um anjo e lhe diz: "Eu não te largarei até que me abençoes". Pois bem, haverá coisa melhor para indicar a luta do poeta com o poema? Não me perguntes, porém, a técnica dessa luta sagrada ou sacrílega. Cada poeta tem de descobrir, lutando, os seus próprios recursos. Só te digo que deves desconfiar dos truques da moda, que, quando muito, podem enganar o público e trazer-te uma efêmera popularidade.
Em todo caso, bem sabes que existe a métrica. Eu tive a vantagem de nascer numa época em que só se podia poetar dentro dos moldes clássicos. Era preciso ajustar as palavras naqueles moldes, obedecer àquelas rimas. Uma bela ginástica, meu poeta, que muitos de hoje acham ingenuamente desnecessária. Mas, da mesma forma que a gente primeiro aprendia nos cadernos de caligrafia para depois, com o tempo, adquirir uma letra própria, espelho grafológico da sua individualidade, eu na verdade te digo que só tem capacidade e moral para criar um ritmo livre quem for capaz de escrever um soneto clássico. Verás com o tempo que cada poema, aliás, impõe sua forma; uns, as canções, já vêm dançando, com as rimas de mãos dadas, outros, os dionisíacos (ou histriônicos, como queiras) até parecem aqualoucos. E um conselho, afinal: não cortes demais (um poema não é um esquema); eu próprio que tanto te recomendei a contenção, às vezes me distendo, me largo num poema que vai lá seguindo com os detritos, como um rio de enchente, e que me faz bem, porque o espreguiçamento é também uma ginástica. Desculpa se tudo isso é uma coisa óbvia; mas para muitos, que tu conheces, ainda não é; mostra-lhes, pois, estas linhas.
Agora, que poetas deves ler? Simplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, em vez de tu a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi, e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência. Já li poetas de renome universal e, mais grave ainda, de renome nacional, e que no entanto me deixaram indiferente. De quem a culpa? De ninguém. É que não eram da minha família.
Enfim, meu poeta, trabalhe, trabalhe em seus versos e em você mesmo e apareça-me daqui a vinte anos. Combinado?
Mario Quintana


Retirado de:  http://www.casadobruxo.com.br/poesia/m/carta.htm. 



Naiana Freitas, 17 de fevereiro de 2013. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mais: flores e Drummond.



"[...]Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio,
paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu."

Carlos Drummond de Andrade em "A flor e a náusea"

Naiana   Freitas, 16  de    fevereiro de 2013.

Mundo...


"[...]Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração."

                                                            Carlos Drummond de Andrade em Poema de sete faces


Naiana Freitas,16 de fevereiro de 2013.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Diploma...

O diploma sem práxis é inútil e esvaziado de sentido. Na minha estante só cabem livros e não 

diplomas esquecidos.




Naiana Freitas, 13 de fevereiro de 2013.

Carnaval II

Nem acredito que o carnaval acabou...e o descanso também.
Fiquei de bem com o carnaval e ele se foi rapidinho...
depois ainda dizem que pensamento positivo não adianta. 
[Desculpem-me mas, minha ironia é crença...]


Naiana Freitas, 13 de fevereiro de 2013.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Para quê reclamar do carnaval 2013 de Salvador?




Vou ser direta hoje. Nada de voltas, revoltas, metáforas e aliterações. Meu texto tem um objetivo único: dizer que não vou reclamar do carnaval em 2013. Nada de bater na mesma tecla, já basta meu teclado quase apagado...

Muitos, aqui, odeiam essa festa. Ela de longe parece até organizada. [a única coisa que funciona nessa cidade]. Existe esquema de segurança para resgatar o abadá, camarotes-palácios e água mineral inflacionada. Escorreguei na tecla. Eu devia apenas relatar as situações boas...

 Mas, batendo na tecla mesmo, posso dizer que desde quarta-feira a cidade PAROU. As ruas do percurso foram fechadas sem aviso prévio. Desta vez, eu estava no ônibus na Barra quando o trânsito foi alterado. Os pontos de ônibus mudaram de lugar, um engarrafamento quilométrico, pessoas desnorteadas. Na verdade: uma prévia da avenida.

O carnaval está acontecendo lá fora... Estou longe, bem longe dele. Acho que quero reclamar menos porque já reclamei demais nos outros anos e desde janeiro reclamo desse carnaval. Escrevi tantas notas aos jornais e nenhuma foi publicada. Só publicam o que não destoa... Sem falar naquele camarote em Ondina que tomou quase toda a areia da praia... Ouvi dizer que ano que vem a União barrará a construção, será mesmo?

Não vou pular para fazer as pazes com o carnaval da gente. Não vou não, vou desejar um carnaval lento. Que demore suficientemente o bastante para aumentar meu feriado, meu exílio em casa para atender a todas as formalidades que batem a porta.

Carnaval, carnaval você é mais forte do que eu, eu sou somente formiguinha. Então para mim, é melhor não reclamar... Vou aproveitar a folguinha.

Naiana Freitas, 11 de fevereiro de 2013.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Walter Benjamin: mais um alemão para a minha lista


Eis o senhor Benjamin como nunca vi antes. A verdade é que cada dia que passa me rendo à escrita dos germânicos.  Antes, ignorava o Benjamin, não por desentendê-lo por completo, mas considerava sua escrita enfadonha demais... Eis que agora me rendo e descubro: mais um alemão para a minha lista de autores. Com certeza, este W. Benjamin não é o mesmo que li há tempos atrás, como nem eu mesma sou a mesma quando o li pela primeira vez. O que permaneceu igual foi o tradutor.




[...] Submetendo-se à noite, Proust vencia a tristeza sem consolo de sua vida interior, e construiu, com as colmeias da memória, uma casa para o exame de seus pensamentos”.


BENJAMIN, Walter. A imagem de Proust. In: idem. Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios Sobre Literatura e História da Cultura. Tradução Sérgio Paulo Rouanet. 7 ed. São Paulo, Brasiliense, 1994. p.38. (Obras Escolhidas. Vol. 1. )

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Pra Você Guardei O Amor/Nando Reis




Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Disponível em:
http://www.vagalume.com.br/nando-reis/pra-voce-guardei-o-amor.html#ixzz2KGtK4782

Naiana Freitas,08 de fevereiro de 2013.

Vento...

Vento, vento, vento
leve meu pensamento...




Naiana Freitas, 08 de fevereiro de 2013. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Selo: Carnaval

Criação: Naiana Freitas


Naiana Freitas, 07 de fevereiro de 2013. 

Sei/Nando Reis



Sabe, quando a gente tem vontade de encontrar
A novidade de uma pessoa
Quando o tempo passa rápido
Quando você está ao lado dessa pessoa
Quando dá vontade de ficar nos braços dela
E nunca mais sair

Sabe, quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali
Em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo e muito
Os lábios desejados da sua pessoa
Quando quer que acabe logo a viagem
Que levou ela pra longe daqui

Sabe, quando passa a nuvem brasa
Abre o corpo, sopro do ar que traz essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui

Sabe, quando a felicidade invade,
Quando pensa na imagem da pessoa.
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa.
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali,
Em sua boca.
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui

Sei,
Eu sei.
Disponível em: http://letras.mus.br/nando-reis/1981984/

 Naiana Freitas, 07 de fevereiro de 2013.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O tempo...


"O tempo é a imagem móvel  da eternidade imóvel"

Platão


Naiana Freitas, 04 de fevereiro de 2013.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Poema entre carros




Dia de sol
O calor
Estilhaça o corpo da gente

Nem brisa tem
Ah! mas, teus braços trazem frescor!

Braços trazem abraços
Prendem o mundo lá fora
Carros velozes passam, passam
Invadem até a calçada das gentes

Mas, teus braços, ah teus abraços!
Afugentam a violência inteira
Só escuto de longe o som
Do movimento na estrada

O abraço e braço seu me aparam
Da velocidade do mundo
Que não para, rumina insanamente.

Naiana  Freitas, 13 de janeiro de 2013.