sexta-feira, 19 de abril de 2013

Um alô do além....


Esse texto é um relato, embora se assemelhe mais a uma anedota. Depois do susto, posso confirmar: “eu sou uma viagem” como me dizem. O acontecido foi simples, mas me deixou impressionada. Eu sou uma pessoa impressionada, sempre fui. Quando me lembro daquelas histórias arrepiantes que meu avô materno contava-nos sobre a Caipora... Eu chorava ouvindo, eram muitas assombrações. O relato de agora, tem um por que psicológico, acho que estou envelhecendo e não há nada que circule mais a velhice do que a morte...
Nessa semana atendi um telefonema de uma criatura que queria falar com a minha mãe. O diálogo se deu assim:
_ alô...
_alô, Diana está?
_ não, ela saiu...
_ quem está falando é a filha dela?
_ sim...
_  Quem está falando é Tal pessoa, que vendeu roupa  para ela...
[Nessa hora petrifiquei, o nome me lembrou de uma morta. Pois, de todos os nomes vivos a voz da pessoa não coincidia com a que eu ouvia. Somente a voz da morta era similar]
_ [gaguejando respondi] S-i-m-m é – a f-i-l-lhaaaa d-e-laa
_ Que horas ela volta?
_ De tarde ela está aqui... (tremendo agora)
_Então tá, de tarde eu ligo... Você diz a ela que eu liguei. Eu quero falar com ela...
_ ce-r-to, [quase parando a fala] ....tchau.

    Quando consegui colocar o telefone na base, senti que eu estava tremendo... E falando: “_ Ó meu Deus, eu falei com uma morta ao telefone!” Corri desesperadamente para ligar para o celular da minha mãe. Mas, o celular tocou dentro de casa... Assim precisei ligar para outras pessoas. Só para que elas me dissessem: isso não é possível. O engraçado é que eu não tinha proximidade com essa pessoa. A verdade é que inconscientemente a morta se interligou ao meu pensamento.
      Quando minha mãe chegou, eu Relatei tudo, e ela ainda me disse que poderia ser possível, quem sabe um caso de mediunidade?  Meu irmão, engraçadinho, logo me avisou: “_ih, você é uma médium de telemarketing.” Essa frase gerou uma gargalhada geral. Sai e pedi a minha mãe: “_Mãe ligue para mim, caso a criatura ligue”. Minha mãe não recordava de ninguém com o nome, somente aquelas que eu já tinha dito que não eram. Por volta das 15h, minha mãe liga para mim. Eu na expectativa. Ela rindo me diz: “_Naiana, você não falou com gente morta não. Quem ligou foi àquela pessoa que há muito tempo, eu não vejo por isso não lembrava... e blá, blá, blá...” Eu respirei aliviada. E pensei, fico brincando que só dialogo com gente morta (na literatura) que a carapuça serviu....
A verdade é que nunca vi tanto o tempo passar para os meus, a doença vem, a morte vem e eu sempre me assustando com a vinda dela sem capuz... Por isso essa confusão. Este caso depois de contado é uma piada minha cara... Sem sombra de dúvidas: eu sou uma viagem... Achei pouco às viagens do mundo real e estou caminhando para o mundo imaterial...



Naiana Freitas, 19 de abril de 2013.



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