sexta-feira, 31 de maio de 2013

Uma liberdade Fast food ....

A qualidade que tanto admiro no mundo virtual é o botão de desliga. Desligo e adeus logins e vidas falsas. Privacidade é meu luxo e subjetiva riqueza: não vendo, alugo ou empresto. Sinto-me livre longe daqui....Uma espécie de liberdade Fast food...[Risos.]



Naiana Freitas, 31 de maio de 2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Postagem 21: Profissões para mulheres e outros artigos feministas _Virginia Woolf

Foto: Naiana Freitas
Para encerrar o maio de 2013 em minha vida, trago algumas impressões de leitura do livro: Profissões para mulheres e outros artigos feministas de Virginia Woolf. O meu encontro com esse livro foi ao acaso, ou no caso, deve-se ao meu gosto particular de investigar. Ao acaso posso pensar, porque não imaginava encontrar as primeiras páginas do livro de Woolf no site da editora LP&M. Quando li as primeiras páginas foi amor à primeira vista. A verdade é que somente cheguei ao acaso, porque li em algum texto teórico alguma referência a uma palestra de Woolf.

Como esse amor foi tão transbordante precisei registrar esse encontro em uma postagem anterior chamada: O Próximo. Lembro que citava um trecho e ao fim declarava: “[...] Só sei que as seis páginas me convenceram a ler o livro inteiro. Espero encontrá-lo... Porque tem um tempinho que busco o “Um teto todo seu” da própria autora...”.  Quando tentei comprar pela primeira vez o “Profissões para mulheres e outros artigos feministas”, ele estava em falta. Depois de uns meses, já esquecida da promessa consegui comprar. Este livro é bem baratinho, mas mesmo assim pedi pela internet junto com outras encomendas. O livro chegaria em  uma semana. Era só esperar. Nesta semana de espera, li uma entrevista com a tradutora do livro, Denise Bottmann chamada: Virginia Woolf feminista é “uma invenção da tradição”, na qual ela afirmava sobre Woolf: “[...] Seus textos ditos feministas são essencialmente textos de circunstância, artigos, palestras, resenhas curtas; seu feminismo é, digamos, de segundo grau.” (Jornal Opção, 3 de mar. 9 de mar. de 2013           disponível em: http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/virginia-woolf-feminista-e-uma-invencao-da-tradicao) .  Se fossem outros tempos eu diria: “como assim, feminismo de segundo grau?”.
São outros tempos e por isso absorvi essa opinião de um modo bem produtivo. Acho válida a afirmação da tradutora, como acho válida a minha. Assim, como muitas escritoras não levantaram nenhuma bandeira feminista, Woolf também não o fez. Melhor para elas, não precisaram se associar a nenhum eixo político-social para escrever as suas ideias. O ranço com o termo feminismo é de longa dada. Se hoje quando uma escritora se diz feminista ou qualquer outra mulher civil diz consegue ganhar olhares inquisidores, imagine para escritoras de outro contexto social, época, com dramas emocionais?

A questão da lucidez diante de seu contexto social é o mais importante e não se ela se nomeou feminista ou não. Essa afirmação é um excesso que não preciso. Eu ao contrário, muitas vezes preciso dizer: “sou feminista-moderada”, só para garantir um por quê? Por que moderada? Por que feminista? , nesse mundo tão movediço eu que preciso dizer a corrente que sigo, qual não sigo, o que é para mim tudo isso e para os outros. Ela, ela não precisou, levantar nenhum pano roxo, queimar bonecas, fazer topless. Ela não precisou de nada disso para descobrir o aparentemente óbvio que ninguém via, ou fingia não ver como até hoje.

Nesta coletânea de textos, Virginia Woolf opina desde o papel das escritoras, até o das operárias. Visibilizando os obstáculos encontrados pela mulher que escreve, como por exemplo, cita o recurso de pseudônimos usados por George Eliot e Charlotte Brontë (Woolf, 2012, p.28). Como uma forma de proteção, ou melhor, de libertação. Já que,

“[...] para um homem ainda é muito mais fácil do que para uma mulher dar a conhecer suas opiniões e vê-las respeitadas. Não tenho dúvidas de que, caso tais opiniões prevaleçam no futuro, continuaremos num estado de barbárie semicivilizada. Pelo menos é assim que defino a perpetuação do domínio de um lado e, de outro, da servilidade.” (Woolf, 2012, p.51).

Aborda as limitações sociais impostas pela família ou pelos padrões sociais que regiam a sociedade daquela época. Exemplifica contando- nos que os manuscritos de Jane Austen foram queimados pela madrasta. E até mesmo ironiza a condição das escritoras declarando: “[...] Claro que foi por causa do preço baixo do papel que as mulheres deram certo como escritoras, antes de dar certo nas outras profissões.” (Woolf, 2012, p.10).

Quanto a minha opinião, creio que Virginia Woolf foi mais do que qualquer feminista. Ela atingiu um grau de lucidez tão imenso, que não conseguiu suportar esse embate entre o real e fictício, entre o socialmente imposto e o que sua subjetividade transmitia. Woolf desenvolveu uma ideia onde todos fossem beneficiados por um respeito que permitisse um estado onde a liberdade oferecida aos homens fosse proporcionada as mulheres. E isto, para mim, é política. Como podemos ver em:

Mas o que é necessário não é apenas a educação. É que as mulheres tenham liberdade de experiência, possam divergir dos homens sem receio e expressar claramente suas diferenças (pois não concordo com Falcão Afável que homens e mulheres sejam iguais); que todas as atividades mentais sejam incentivadas para que sempre exista um núcleo de mulheres que pensem, inventem, imaginem e criem com a mesma liberdade dos homens e, como eles não precisem recear o ridículo e a condescendência.” (Woolf, 2012, p.51) 

Hoje, nós precisamos de alguma coisa material para se agarrar, mesmo que seja uma ideia. Elas não precisavam de nada. Só posso dizer que esta reunião de textos é muito didática, traz a opinião de uma escritora tão aclamada pela crítica ocidental. A verdade é que para mim, Woolf trazia uma autonomia latente que por ser tão independe não poderia jamais pensar em se alinhar com qualquer segmento fora de si. Não como excesso de egoísmo, mas sim com liberdade. Porque seguir o seu caminho de forma não esperada é também liberdade, como quem sabe seu suicido não foi à liberdade ao extremo? Mesmo escrito em 1931, continuamos “num estado de barbárie semicivilizada” quando o futuro virá de verdade?

WOOLF, Virginia. Profissões para mulheres e outros artigos feministas. Tradução de Denise Bottmann. Porto alegre: L&PM, 2012. 


Naiana Freitas, 30 de maio de 2013.








terça-feira, 28 de maio de 2013

Maio...(Citação de Camões)

"[...] Só para meu amor é sempre Maio."




Luís Vaz de Camões




Naiana Freitas, 28 de maio de 2013.

“Este amor que vos tenho, limpo e puro” /por Luís Vaz de Camões

Este amor que vos tenho, limpo e puro
De pensamento vil nunca tocado,
Em minha tenra idade começado
Tê-lo dentro nesta alma só procuro.

De haver nele mudança estou seguro,
Sem temer nenhum caso ou duro Fado,
Nem o supremo bem ou baixo estado,
Nem o tempo presente nem futuro.

A bonina e a flor asinha passa;
Tudo por terra o Inverno e Estio deita;
Só para meu amor é sempre Maio.

Mas ver-vos pera mim, Senhora, escassa,
E que essa ingratidão tudo me enjeita,
Traz este meu amor sempre em desmaio.



Naiana Freitas, 28 de maio de 2013.


domingo, 26 de maio de 2013

Ar versus Terra

Quem é ar não pode ser terra.



Naiana Freitas, 26 de maio de 2013.

"Die Nachahmung der Rose"

foto: Naiana Freitas



Esta é a minha coleção de livros de Clarice Lispector. Nesta semana ganhei de presente  mais um: "A imitação da Rosa"( "Die Nachahmung der Rose" ) em alemão, tão inusitado que resolvi postar. Ler em alemão está muito mais difícil, porque sou uma estudante totalmente iniciante. 


Naiana Freitas, 26 de maio de 2013. 

sábado, 25 de maio de 2013

Citação de Osho ( III )






Naiana Freitas, 25 de maio de 2013.

Meus vizinhos e a seca




Meus vizinhos nunca ouviram falar em seca no nordeste, pois o domingo deles é de criação. Eles criam um lago artificial no meio da rua. Esses meus vizinhos gênios deviam ser contratados pelo congresso nacional, ou até mesmo, por alguma prefeiturazinha desta que decretou estado de emergência...
Quando eu souber que eles estão empregadíssimos e fazendo algo tão divino não vou reclamar mais. Para eles, nossa água é inesgotável. Muita genialidade!

Naiana Freitas, 05 de abril de 2013.

Citação de Osho ( II )

"[...] A pessoa sem inteligência é entendida com facilidade. Ela se encaixa nas configurações da sociedade; a sociedade tem valores e critérios pelos quais julgá-la. Mas leva anos para a sociedade avaliar os seus gênios."

OSHO. Intimidade: como confiar em si e nos outros. Tradução Henrique Amat Rêgo Monteiro. São Paulo: Cultrix, 2006. p.47



Naiana Freitas, 25 de maio de 2013.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

De Janeiro A Janeiro/Nando Reis


Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, me deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar

Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar

Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A consequência do destino é o amor, pra sempre vou te amar

Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar

Disponível em: http://letras.mus.br/nando-reis/1748747/. Acessado em 24/05/13.

Naiana Freitas, 24 de maio de 2013.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Passa-se tudo...**




Passa-se tudo: a casa, o pequeno comércio.
As meninas e os meninos na esquina,
O sujo da rua na viela cheia de chuva. .

Passa-se o corpo para o cemitério,
A galinha no quintal vizinho,
A neblina, fumaça e a seca maré.

Às vezes devagar, pelo ar, o tempo vai.
De relógio, cartola, sandália e saia.
Passando em nós o jovem-velho vai...

Nasce-se, passa-se, morre-se, passa-se.
A porcelana vida acomodada em armários,
Em caixas sem aviso “frágil”, no árido chão.

Na sala sentada à mesa, tem a velha.
De relógio analógico na mão,
Tem a menina e a mulher sem agulha.

Nasce-se, passa-se, morre-se, passa-se.
Passa-se tudo...
Menos a esvaecida e ensandecida alma minha.
Foto: Naiana Freitas


Naiana Freitas, 22 de maio de 2013.

 **nota da blogueira: Poema em comemoração ao meu aniversário de 28 anos.

sábado, 18 de maio de 2013

Quem vê o céu, vê o céu...(parte II)

foto: NPF

Foto:NPF









Naiana Freitas, 18 de maio de 2013.





Não consegui o verso querido....


Estava tentando escrever um verso que coubesse você por inteiro. Não consegui o verso querido.  Mas, não desisti e inscrevi em cada estilhaço meu escrito a caneta: você.

Naiana Freitas, 18 de maio de 2013

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Opinião...


As versões femininas dos apresentadores sensacionalistas baianos são, sem dúvida alguma, odiosas. 


Naiana Freitas, 15 de maio de 2013. 

Citação de Osho....


“[...] É mais difícil ser bem-sucedido com inteligência, porque a pessoa inteligente é criativa. Ela está sempre à frente de sua época; leva tempo para entendê-la.”


OSHO. Intimidade: como confiar em si e nos outros. Tradução Henrique Amat  Rêgo Monteiro. São Paulo: Cultrix, 2006. p.46



Naiana Freitas, 15 de maio de 2013.

sábado, 11 de maio de 2013

Quem vê o céu, vê o céu...

Naiana Freitas

Naiana Freitas


Naiana Freitas







“[...] E o mês de maio, enfim chegou/Olhos vão se abrir, pra tanta cor/É mês de maio, a vida tem seu resplendor/ [...]/É mês de maio, saio e vou ver o sol se pôr/Horizonte, de aquarela, que ninguém jamais pintou/E um enxame, de estrelas, diz que o dia terminou/ [...]/É mês de maio, é tempo de ser sonhador”
Mês de Maio /Almir Sater

Naiana Freitas, 11 de maio de 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Carta aos nascidos em maio_Carlos Drummond de Andrade



Amigos e amigas que nascestes em maio:

Estas letras e este autor aqui estão simplesmente para se integrarem na poesia dessa circunstância e avivá-la em vós, se acaso vai murchando, como sugeri-la a todos os outros seres, infortunados seres que nasceram em março, em junho, em novembro. Porque vosso nascimento é pura canção, mesmo que sejais economistas, deputados, capitães-de-corveta. Uma predestinação lírica presidiu a vosso berço, e que tenhais enveredado por um caminho prático, onde a palavra maio significa apenas assembléia-geral de uma companhia de produtos químicos, não tem a menor importância: estais marcados de maio, carregais convosco, no canal de vossas veias, invisível, incapturável, imperturbável e aliciante, o princípio de maio. E ele jamais permitirá que vos tomem por um simples homem de outubro, e na vossa miúda e radiante biografia há de sempre insinuar a nota íntima, cristalina e melodiosa, de um pequeno acidente feliz, individualizadora do destino humano.
Maio sois e maio continuareis.O uso grosseiro de vossa vida não lhe corromperá de todo a limpidez original; se um dia matardes, se vos venderdes à política, se vos tornardes a vergonha de vossa pátria, ainda assim o lado maio de vossa fisionomia continuará indelével, e fará com que se murmure: "Coitado! apesar de tudo, nasceu em maio."E tu nasceste em maio – assinala o poeta ao fim do canto em que celebra o mês especial, assim como aquele que se inclinou diante do recém-nascido marcado pelos deuses, afiançando: Tu Marcellus eris.Por que?
Decerto não sabeis bem porque, mas sentimentalmente o apreendeis, e, homem ou mulher, os nascidos em maio caminham ao peso de uma carga suave – uma andorinha não pesaria menos -, que é o pressentimento, a intuição de participarem de um segredo atmosférico, pois ele está gravado, em hieróglifos, no ar, e no vento perpassa. “Nós os de maio..." – tendes o direito de sublimar, em face da miserável situação de nós outros, os do resto do ano (exceto os da segunda quinzena de dezembro, é claro!). E aqui ouso afirmar que vosso segredo é meio-pagão, meio–religioso, de tal modo as coisas se baralham no mundo, e os mistérios se prolongam e se entrelaçam. Porque há em maio dois meses: o mês de Maria, e o mês de maio propriamente dito. Se sois cristãos romanos, maio bate sinos na vossa infância ou na vossa madureza, e aspirais o incenso, entoais o Janua Coeli, Turriss Eburnea e não sei que mais invocações encantatórias, e vos ajoelhais, e assistis à coroação da Virgem, se não a coroais vós mesmos, com a mão antiga e branca que nasce de súbito na ponta de vossos braços adultos. Mas, se não sois cristãos, não faz mal, maio ainda é festa, e festa sempre, desde o velho mundo latino, que o consagrava a Apolo e lhe punha à cabeça uma cesta de flores. Apolo, flores, fim do cruel inverno, irradiação da primavera, procissão de palmas verdes, enfeites de casa com verde, tudo verde, verde, verde, e esse ramo florido e enguirlandado que na Idade Média o amigo ia plantar à porta da casa do amigo, a 1º de maio, e que se chamava maio, e que sugere ao meu austero dicionarista Caldas Aulette esta expressão para definir um sujeito todo enfeitado: "Parecia mesmo um maio". Como sugeriu a Camões, em momento de ternura, o doce verso:
Só para meu amor é sempre MAYO.

De resto, o segundo maio, o mariano – em que não desfaço, tanto lhe devo eu próprio em evocações e sensações artísticas depositadas no fundo de meu pobre materialismo -, só nasceu mesmo no século XVIII, quando o padre jesuíta Lalomia teve a idéia de transformar paganismo em cristianismo (e muitos de nossos santos, Deus me perdoe, guardam a sombra de divindades ou entidades pagãs, a julgarmos pelo caso de São Sátiro, contado por Anatole France), e dedicou o mês a Nossa Senhora, compondo em 1785 “Il Mese de Maggio consacrato alle gloria della gran Madre de Dio”. Maio cristianizou-se, porém muito de sua magia continua ligada ao reverdecimento espontâneo das árvores, ao desatar das águas presas durante 89 dias e 2 horas, na deliciosa falsa contagem dos meteorologistas, às expansões da terra que penetrou em um novo ciclo e aconselha bichos, gentes e plantas a que amem, amem desbragadamente.
Não estou delirando, ó criaturas de maio. Tudo isto se passa em outro hemisfério, mas também por estas bandas austrais maio é primavera, senão na natureza, pelo menos em estado de espírito, em concordância íntima de valores, em consubstanciações vaporosas de que cada um de nós adquire a fórmula, a qual, ó eleitos, nem sequer precisais aprender, pois a recebestes com o primeiro vagido. Concordo, sem repugnância, em que o nosso mês de maio cai no fim do outono. Custa-me pouco aceitar o outono brasileiro, se o vejo, como aqui no Rio, de um azul diáfano, arrepiado por um friozinho que enxuga e perfuma o suor das coisas, tristes coisas urbanas usadas pelo sol do trópico, e por ele restituídas à sua prístina pureza. Não há tempo mais leve, caricioso, humano e coloquial do que este maio carioca, revestido ou não de prestígio mundano, porque sorri tanto aos freqüentadores de concertos como aos homens sentados em bancos de jardim público, ao passageiro do bonde Freguesia, ao remador, à datilógrafa do Serviço de Proteção aos Índios, ao médico do Pronto-Socorro, ao senador Melo Viana, aos meninos da Escola Cócio Barcelos, aos pedreiros construindo edifícios, à massa palpitante de uma cidade feita de subúrbios que transbordam até à Avenida Rio Branco: maio dá para todos, reparte-se amorosamente entre homens sofredores e homens de boas roupas, como uma conciliação meteorológica, um arco-íris pairando sobre as contradições da cidade.
Se bem que, de coração, ele se volte mais, num enternecimento cúmplice, para aquela parte do povo que sua no rude batente, e a que é dedicado, desde de 1890, o seu dia inaugural (1º de maio).
Mês de Nossa Senhora coroada de rosas, e de operários que morrem pela causa de oito horas de trabalho no mundo, frio mês das montanhas mineiras, nostalgia de namoradas e rezas, cartuchos de amêndoas que a Irmã trazia da coroação na matriz, que era um grande navio iluminado, conversas no adro, à espera do leilão de prendas, vagos estremecimentos de poesia, formas infantis de um sonho que mais tarde seria inquietação e carinho franjado de ironia – tudo isso vai brotando desta caneta comercial com que escrevo, e baila no ar e me penetra – tudo isso é vosso, é a própria substância de que se tece vossa vida, ó nascidos e bem-aventurados em maio! Para quem esta carta é colocada na mala irreal de uma posta feérica.

 Carlos Drummond de Andrade

Nota da blogueira:
Fiz a paragrafação de acordo com a edição impressa. Segue a referência: ANDRADE, Carlos Drummond de. Carta aos nascidos em maio. In:_________. Seleta em prosa e verso: Carlos Drummond de Andrade. 7º ed. Rio de janeiro: Record,1987.p.28.

Naiana Freitas, 10 de maio de 2013.

A "família verdadeira" é a favor da redução da “maioridade penal”?


Recentemente uma propaganda partidária vem sendo transmitida na TV. Certo partido, não digo o nome  nem sob acusação de heresia,  diz que é a favor da família verdadeira. Sim, existe uma família verdadeira brasileira! É tão fofa a propaganda, uma criancinha narra e depois os “políticos honrados” aparecem, mais fofos ainda.  Infelizmente, o partido por ser tão verdadeiro esqueceu-se de tirar do ar outra propaganda partidária na qual  defende a redução da “maioridade penal”.  Interessante para mim é esse relapso. Feliz para eles sim, porque ninguém viu. 



Naiana Freitas, 10 maio de 1013. 

O “Rabo preso” e “Uma mão lava a outra.”


Duas expressões populares permeiam a nossa política. Particularmente não tenho apreço por nenhuma das duas.  São elas: “rabo preso” e “uma mão lava a outra.” Analisando mais de perto, posso até aventar que essas expressões convivem em nossa sociedade por inteiro. 


Naiana Freitas, 10 de maio de 2013. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Trecho de O retorno de Casanova_Arthur Schnitzler

"[...] Não tinha ele conhecimento de que cada pessoa de alma verdadeiramente viva coexistiam pacificamente personalidades , não só distintas, mas às vezes até mesmo antagônicas? "

 Arthur Schnitzler



SCHNITZLER, Arthur. O retorno de Casanova. Tradução: Günther H.Wetzel. São Paulo: Companhia das letras,1988. p.68



Naiana Freitas, 08 de maio de 2013. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Hipótese/Carlos Drummond de Andrade




E se Deus é canhoto
e criou com a mão esquerda?
Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.


 Disponível em: http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/hipotese/. Acesso em 07/05/2013. 


Naiana Freitas, 07 de maio de 2013.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Antes, Agora e Depois....

Interessante é pensar como as pessoas enxergam a "não saída" de Lula do círculo de poder e ignoram a "não saída" dos que vieram antes, estão agora e virão depois.....
Eu queria acreditar nisso que todo mundo acredita...como queria. Mas, fui pensar demais e deu em outro isso. 
Naiana Freitas, 02 de Maio de 2013.