sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Face de Narciso / Jorge Vercillo

O que é o amor?
Vai além da minha compreensão.
Para uns é chave
E pra outros foi prisão.

O que é o amor?
Será desapego ou possessão?
Altruísmo em nós
Ou apenas autoadoração?

Face de Narciso por capricho se espelhou
Mas se ela me olha assim, é lindo,
Ali eu sei quem sou.

E o que é o amor?
É platônico ou será real?
Sonhos de mulher
Ou pecado original?

E o que é o amor?
Penso que só ele pode unir.
Tudo em suas mãos,
Toda a dualidade em si.

São tantas verdades convergindo ao seu redor.
Não existe a espada sem a liga,
O espinho sem a flor.

E o que é o amor?
Vai além da minha compreensão.
Para uns é chave
E pra outros foi prisão.

O que é o amor?
Vai além da imaginação.
Para uns é dor,
Para muitos, luz na escuridão.



Naiana Freitas, 30 de agosto de 2013...

Uma observação...

Quer dizer então que barricada, protesto, paralisação (ou qualquer outra coisa parecida) sindicalizada pode. É legal, funcional, uma exigência  de direitos....Mas, barricada, protesto, e paralisação  sem sindicato, apartidária é vandalismo. Verdades da “TERRA ADORADA,/ENTRE OUTRAS MIL,/ÉS TU,BRASIL,Ó PÁTRIA AMADA!/DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,/PÁTRIA AMADA,/BRASIL!


Naiana Freitas, 30 de agosto de 2013. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A vida_Alexandre Dumas Filho

“[...] A vida é bela meu caro; tudo depende da cor do vidro, através da qual ela é olhada.”




DUMAS FILHO, Alexandre. A dama das camélias. Trad. Marina Gaspari. Rio de janeiro: edições ouro. [S.A].p.112



Naiana Freitas, 27 de agosto de 2013. 

domingo, 18 de agosto de 2013

O Verbo For/João Ubaldo Ribeiro

Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. Somos uma força histórica de grande valor. Se não agíssemos com o vigor necessário — evidentemente o condizente com a nossa condição provecta —, tudo sairia fora de controle, mais do que já está. O vestibular, é claro, jamais voltará ao que era outrora e talvez até desapareça, mas julgo necessário falar do antigo às novas gerações e lembrá-lo às minhas coevas (ao dicionário outra vez; domingo, dia de exercício).

O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês e sociologia, sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Tudo escrito tão ruybarbosianamente quanto possível, com citações decoradas, preferivelmente. Os textos em latim eram As Catilinárias ou a Eneida, dos quais até hoje sei o comecinho.

Havia provas escritas e orais. A escrita já dava nervosismo, da oral muitos nunca se recuperaram inteiramente, pela vida afora. Tirava-se o ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o martírio, insuperável por qualquer esporte radical desta juventude de hoje. A oral de latim era particularmente espetacular, porque se juntava uma multidão, para assistir à performance do saudoso mestre de Direito Romano Evandro Baltazar de Silveira. Franzino, sempre de colete e olhar vulpino (dicionário, dicionário), o mestre não perdoava.

— Traduza aí quousque tandem, Catilina, patientia nostra — dizia ele ao entanguido vestibulando.

— "Catilina, quanta paciência tens?" — retrucava o infeliz.

Era o bastante para o mestre se levantar, pôr as mãos sobre o estômago, olhar para a platéia como quem pede solidariedade e dar uma carreirinha em direção à porta da sala.

— Ai, minha barriga! — exclamava ele. — Deus, oh Deus, que fiz eu para ouvir tamanha asnice? Que pecados cometi, que ofensas Vos dirigi? Salvai essa alma de alimária. Senhor meu Pai!

Pode-se imaginar o resto do exame. Um amigo meu, que por sinal passou, chegou a enfiar, sem sentir, as unhas nas palmas das mãos, quando o mestre sentiu duas dores de barriga seguidas, na sua prova oral. Comigo, a coisa foi um pouco melhor, eu falava um latinzinho e ele me deu seis, nota do mais alto coturno em seu elenco.

O maior público das provas orais era o que já tinha ouvido falar alguma coisa do candidato e vinha vê-lo "dar um show". Eu dei show de português e inglês. O de português até que foi moleza, em certo sentido. O professor José Lima, de pé e tomando um cafezinho, me dirigiu as seguintes palavras aladas:

— Dou-lhe dez, se o senhor me disser qual é o sujeito da primeira oração do Hino Nacional!

— As margens plácidas — respondi instantaneamente e o mestre quase deixa cair a xícara.

— Por que não é indeterminado, "ouviram, etc."?

— Porque o "as" de "as margens plácidas" não é craseado. Quem ouviu foram as margens plácidas. É uma anástrofe, entre as muitas que existem no hino. "Nem teme quem te adora a própria morte": sujeito: "quem te adora." Se pusermos na ordem direta...

— Chega! — berrou ele. — Dez! Vá para a glória! A Bahia será sempre a Bahia!

Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. Uma bela vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. Mandava-se o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante. Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a responder nada. Então, eu, carrasco fictício, peguei no texto uma frase em que a palavra "for" tanto podia ser do verbo "ser" quanto do verbo "ir". Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.

— Esse "for" aí, que verbo é esse?

Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.

— Verbo for.

— Verbo o quê?

— Verbo for.

— Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.

— Eu fonho, tu fões, ele fõe - recitou ele, impávido. — Nós fomos, vós fondes, eles fõem.

Não, dessa vez ele não passou. Mas, se perseverou, deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica, ou ainda aposentado como marajá, ou as três coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais divertido do que hoje e, nos dias que correm, devidamente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. Eu tampouco fonho. Mas ele fõe.


 Naiana Freitas, 18 de agosto de 2013.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Drão/Gilberto Gil


Drão!
O amor da gente
É como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela noite escura...

Drão!
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora

Drão!
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
Drão!
Drão!



Naiana Freitas, 16 de agosto de 2013. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Citação de A dama das Camélias

[...] Ao lado da vida ideal há a vida material e as resoluções mais puras são presas à terra por fios ridículos, mas de ferro, que não se quebram com facilidade.”




DUMAS FILHO, Alexandre. A dama das camélias. Trad. Marina Gaspari. Rio de janeiro: edições ouro. [S.A].p.153



Naiana Freitas, 13 de agosto de 2013. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

I Wandered Lonely as a Cloud /William Wordsworth


I wandered lonely as a cloud
That floats on high o'er vales and hills,
When all at once I saw a crowd,
A host, of golden daffodils;
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.

Continuous as the stars that shine
And twinkle on the milky way,
They stretched in never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in sprightly dance.

The waves beside them danced; but they
Out-did the sparkling waves in glee:
A poet could not but be gay,
In such a jocund company:
I gazed-and gazed-but little thought
What wealth the show to me had brought.

For oft, when on my couch I lie
In vacant or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.

Naiana Freitas, 09 de agosto de 2013. 

Clouds...

foto: Naiana Freitas

"I wandered lonely as a cloud/That floats on high o'er vales and hills,"
William Wordsworth

Naiana Freitas,09 de agosto de 2013. 


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A venda de licitação é novidade no Brasil ?

Parece brincadeira acreditar que a venda de licitação é novidade no Brasil. Tanto estardalhaço para uma coisa velha, velhíssima.  O Brasil  foi construído sob a égide do superfaturamento, do lavar de mãos, e agora modernamente pela licitação. Estardalhaço é ótimo, mas o que adianta vigilância só no pobre?  


Naiana Freitas, 08 de agosto de 2013. 

Ação indenizatória...

Quero mover uma ação indenizatória contra esses vândalos de "colarinho branco."


Naiana Freitas, 08 de agosto de 2013

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Comodismo...

Dentre tantas “coisas” que proliferam por aqui, destaco duas bastante perturbadoras:
A impunidade aos “injustos” e essa espera interminável dos “justos” pela justiça extraterrena!Qual a lógica? COMODISMO. Que pode ser entendido como: "atitude de quem privilegia o próprio bem-estar e conforto; comportamento de quem foge das dificuldades."
(bem explicadinho em: http://www.dicionarioinformal.com.br/comodismo/)


Naiana Freitas, 07 de agosto de 2013.

domingo, 4 de agosto de 2013

Quando ela fala/ Machado de Assis


She speaks!
O speake again, bright angel!
Shakespeare
Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.

Meu coração dolorido
As suas mágoas exala,
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.

Pudesse eu eternamente,
Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.

Minha alma, já semimorta,
Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.


ASSIS,Machado.  Machado de Assis: poesia. Rio de janeiro: agir editora.1964. p. 31

Naiana Freitas, 04 de agosto de 2013. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sobre O retorno de Casanova_Arthur Schnitzler

“[...] Tenho a impressão de que tudo o que denominamos filosofia e religião não passa de um jogo de palavras. Um jogo mais elevado que todos os outros, mas sem dúvida também mais absurdo. Jamais chegaremos a apreender o infinito e a eternidade. Nossa trilha vai do nascimento à morte. O que nos resta senão vivermos de acordo com a lei que cada um de nós traz no peito? Ou também contra a lei? Porque tanto a revolta como a submissão provêm igualmente de Deus. “



SCHNITZLER, Arthur. O retorno de Casanova. Trad.: Günther H.Wetzel. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. P.64.


Naiana Freitas, 02 de agosto de 2013.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vá brinque com os médicos e ... advogados!

Vá brinque com os médicos e advogados! Dizem que chegamos ao século XXI, entretanto nossos valores sociais continuam pautados no cenário dos séculos anteriores. No passado obrigatoriamente os filhos burgueses seguiam a profissão da família que se limitava em ser médico ou advogado. O cara poderia ser um inútil, mas se tornava doutor. E claro, continuavam no estrato de 10% da população rica da Bahia. É um chute a porcentagem, poderia ser 1%, mais de 10% não! Os 10% são os dados recentes que dizem que em 20 anos, o dinheiro circula entre os mesmos 10% da população em Salvador! Como disse, brinque com os médicos! Nos acontecimentos recentes eles saíram às ruas para protestar contra as medidas do governo. Que em parte considero até interessantes. Defendem que ganham pouco e trabalham muito. Quem já precisou de médicos do serviço público ou não, reconhece bem como eles trabalham. Eles fazem medicina para continuar sendo a nata, os primeiros, os essenciais ou se não possuem na genealogia essa predisposição são os 1% que estudam para fundar.  Possuem um conselho forte, que pode em um “muxoxozinho” mudar as cartas. Caso odeiem o sangue, ou o nariz empinado das “madames de silicone”, eles correm para o pai, tio, avô, padrinho e caem suavemente na política. Com os bacharéis em direito é a mesma movimentação. Coisa de poucos, elite, alto escalão! É, paga-se mais para a coerção do que para a instrução! A polícia ganha para bater, gritar...médico para “charlar”, advogado para apresentar carteiradas por ai...É brinquem com os médicos, com os advogados, com os polícias...mas, não brinquem com o nosso raciocínio por favor!



Naiana Freitas, 01 de agosto de 2013.