sábado, 26 de outubro de 2013

A maior tortura/Florbela espanca


(A um grande poeta de Portugal)

Na vida, para mim, não há deleite
Ando a chorar convulsa noite e dia...
E não tenho uma sombra fugidia
Onde poise a cabeça , onde me deite!

E nem flor de lilás tenho que enfeite
A minha atroz, imensa nostalgia!...
A minha pobre Mãe tão branca e fria
deu-me a beber a Mágoa no seu leite!

Poeta, eu sou um cardo desprezado,
A urze que se pisa sob os pés.
Sou, como tu, um riso desgraçado!

Mas a minha tortura inda é maior:
Não ser poeta assim como tu és

Para gritar num verso a minha Dor!... 

Acessado 26 de outubro de 2013.

Naiana Freitas, 26 de outubro de 2013

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