sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Para diminuir este estado de descrença

Para quem esperou tanto, sofreu tanto, chorou tanto, leu tanto... Só quero ver meu nome na lista definitiva para diminuir este estado de descrença. Como disse Arthur Schnitzler: "Estar de prontidão é bom, ter paciência é melhor, porém saber esperar pelo momento certo é tudo". Discordo dele sobre o momento, quem saberá o momento certo para alguma coisa nesta vida? Mas, concordo com ele em esperar... Este verbo está quase em desuso. Em geral, as pessoas desconhecem seu significado. A vida em série, a vida na prateleira de uma loja, a vida correndo rápido em flashes no Facebook. Esperar ninguém quer... Querem é bolo quente saído do forno, mesmo que dê dor de barriga. Eu não gosto de bolo quente... Aprendi a esperar, e na espera amadurecer meu pensamento.  Aprendi a ver o barulho do mundo e me manter em mim... E principalmente estar lúcida e louca. Desperta e sonolenta para o mundo... E ser sempre sonho, apesar da realidade que me circunda... Realidade violenta, cidade violenta, mundo violento, logo, periferia muito violenta. Distante do centro, marginalizada, estereotipada, de gente incivilizada... A periferia não sabe que estou em curso... Nem meus vizinhos, nem a polícia que matou um cara meses atrás aqui perto. Eles não sabem disso, e eu não estou nem ai. Porque seria fácil dizer: sou “favela” agora! E que a periferia me ajudou. Nadinha. Estou em curso de chegar, porque sempre acreditei no estudo, porque meus pais, irmãos e avô sempre acreditaram em mim... Minha família é o meu primeiro escudo contra o mundo, o meu segundo escudo é a literatura. Quero correr a um livro, para sentir o seu barulho e ele me dizer: você passou de verdade... Será mestranda em literatura!

Naiana Freitas, 07 de fevereiro de 2014.



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