terça-feira, 29 de abril de 2014

Piratear, é pecado?

Um dia, eu ainda vou investigar a performance dos militantes da “palavra” nos ônibus da capital...O cara de hoje, além da retórica, voz, gestos parecidos com todos que já vi, era um homem santo: Foi traído. Mas, perdoou a mulher. Teve um filho com hidrocefalia, mas Deus o curou. Escreveria um livro esse ano, mas não lembro porque não escreveu. Era um usuário de Crack, mas não é mais. Deus o livrou de 18 tiros na “cara”, também. Contou-nos sobre um Deus vingativo que vingava os inimigos de seu rebanho, por isto exemplificou com a história de uma mulher que falou para ele: “Eu, não gosto de crente!” e ao descer do ônibus, ela quebrou a perna, mais que isso, teve os calcanhares virados ao contrário. (Logo, pensei no Curupira...)..Era grito, língua santa, som alto. Uma espécie de inferno em nome de Deus. Eu, como uma experiente leitora, esperava o desenlace... Estava esperando como o último capítulo da novela. Eis que ele diz: “então, senhoras e senhores, trouxe um presente para vocês!”, depois, ele tirou da bolsa, alguns CDs, com reproduções de músicas evangélicas não suas enfatizando o seu nome e número para contato. Logo, quis perguntar: Piratear, não é pecado? Mas, parece que não. As senhoras e senhores compraram todos os CDs. Ele em grito-agradecimento louvou ao senhor mais uma vez! Relembrou a mulher dos pés virados, como exemplo de perigo ao desafiar “a palavra”... Eu só para sentir uma aventurazinha, estou me ariscando contra o alfabeto inteiro... Penso que, aquele cara precisava de uma biógrafa... Devia ter comprado o CD, para ter o contato dele e perguntar-lhe: você não quer uma mãozinha, para registrar toda a sua ficção?


Naiana Freitas, 29 de abril de 2014

sábado, 26 de abril de 2014

Selo Broto


“[...] E há que se cuidar do broto/Pra que a vida nos dê flor e fruto...” 

Milton Nascimento_ em: Coração de Estudante

Naiana Freitas, 26 de abril de 2014.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Desconfiança

Minha desconfiança é para ambos os lados... Excesso de pensamento crítico só me faz cada dia mais, desconfiar de todas as perspectivas....

Para quem já escolheu herói, só posso dizer: sabe de nada, inocente...


Naiana Freitas, 21 de abril de 2014

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mais um capítulo da greve ...[versão 2014]

A única figura pública, que mostrou algum posicionamento frente à questão da greve, foi o Dom Murilo krieger. Reconheço... Ele não se fingiu de morto. Entretanto, desconfio das intenções do eclesiástico: como a igreja ficaria sem rebanho em uma data tão cara para os religiosos como esta? [é para pensar...]. A manchete de capa do Correio da Bahia trouxe um: graças a deus! [a greve acabou]. A notícia confirmou a época estranha em que vivemos: excesso de informação, mas as explicações são sempre pela via do divino... Como naquela época longínqua, em que se nomeavam soberanos com o mesmo pretexto... Foram motivos humanos que induziram o fim e o início da paralisação. O “cabeça” [ou, um dos] aprendeu o que é decoro em ano de eleição... [Neste momento, foi preso pela justiça federal]. Ele descobriu como os conchavos políticos são mais importantes do que o dispositivo psicoterrorista implantado pelo movimento na população...


Naiana Freitas, 18 de abril de 2014.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Ojeriza à mais uma greve da PM [versão 2014]

Ojeriza à greve, ao governador, as empresas que não declaram nada, as pessoas que estão saqueando as lojas... O que leva uma pessoa sair de casa para pegar objetos em loja? Tirar proveito... É o famoso jeitinho readaptado... Olha, vou me fingir de morta, porque nesse circo os palhaços somos nós... Não sustento palhaçada.  Meu voto é para ninguém!


Naiana Freitas, 16 de abril de 2014.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Sem remédio/Florbela Espanca

Aqueles que me têm muito amor 
Não sabem o que sinto e o que sou... 
Não sabem que passou, um dia, a dor 
À minha porta e, nesse dia, entrou. 

E é desde então que eu sinto este pavor, 
Este frio que anda em mim, e que gelou 
O que de bom me deu Nosso Senhor! 
Se eu nem sei por onde ando e aonde vou! 

Sinto os passos de dor, essa cadência 
Que é já tortura infinda, que é demência! 
Que é já vontade doida de gritar! 

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio, 
A mesma angústia funda, sem remédio, 
Andando atrás de mim, sem me largar! 


Disponível em:http://www2.unifap.br/borges/files/2011/03/Po%C3%A9tica-Filosofia-Cultural-Florbela-Espanca.pdf. Acesso em:15 de abril de 2014. 


Naiana Freitas, 15 de abril de 2014. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O teórico versus o literário...

Se, eu tenho dois textos, um teórico e um literário, para ler... Escolho sem dúvidas o último. O pior é que preciso terminar o texto literário a fim de liberar a consciência para acessar o espaço da teoria, logo, se não finalizo não leio o primeiro. Que luta!



Naiana Freitas, 14 de abril de 2014.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O senso comum e a ciência (I)/Rubem Alves

Antes de mais nada é necessário acabar com o mito de que o cientista é uma pessoa que pensa melhor do que as outras. O fato de uma pessoa ser muito boa para jogar xadrez não significa que ela seja mais inteligente do que os não-jogadores. Você pode ser um especialista em resolver quebra-cabeças. Isto não o torna mais capacitado na arte de pensar. Tocar piano (como tocar qualquer instrumento) é extremamente complicado. O pianista tem de dominar uma série de técnicas distintas - oitavas, sextas, terças, trinados, legatos, staccatos - e coordená-las, para que a execução ocorra de forma integrada e equilibrada. Imagine um pianista que resolva especializar-se (note bem esta palavra, um dos semideuses, mitos, ídolos da ciência!) na técnica dos trinados apenas. O que vai acontecer é que ele será capaz de executar trinados como ninguém - só que ele não será capaz de executar nenhuma música. Cientistas são como pianistas que resolveram especializar-se numa técnica só. Imagine as várias divisões da ciência - física, química, biologia, psicologia, sociologia - como técnicas especializadas. No início pensava-se que tais especializações produziriam, miraculosamente, uma sinfonia. Isto não ocorreu. O que ocorre, freqüentemente, é que cada músico é surdo para o que os outros estão tocando. Físicos não entendem os sociólogos, que não sabem traduzir as afirmações dos biólogos, que por sua vez não compreendem a linguagem da economia, e assim por diante.
A especialização pode transformar-se numa perigosa fraqueza. Um animal que só desenvolvesse e especializasse os olhos se tomaria um gênio no mundo das cores e das formas, mas se tomaria incapaz de perceber o mundo dos sons e dos odores. E isto pode ser fatal para a sobrevivência.
O que eu desejo que você entenda é o seguinte: a ciência é uma especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos. Quem usa um telescópio ou um microscópio vê coisas que não poderiam ser vistas a olho nu. Mas eles nada mais são que extensões do olho. Não são órgãos novos. São melhoramentos na capacidade de ver, comum a quase todas as pessoas. Um instrumento que fosse a melhoria de um sentido que não temos seria totalmente inútil, da mesma forma como telescópios e microscópios são inúteis para cegos, e pianos e violinos são inúteis para surdos.
A ciência não é um órgão novo de conhecimento. A ciência é a hipertrofia de capacidades que todos têm. Isto pode ser bom, mas pode ser muito perigoso. Quanto maior a visão em profundidade, menor a visão em extensão. A tendência da especialização é conhecer cada vez mais de cada vez menos.


ALVES, Rubem. In: _____. Filosofia, da ciência. São Paulo: Ars Poetica, 1996. p. 9-10 .



Naiana Freitas, 11 de abril de 2014.