terça-feira, 15 de abril de 2014

Sem remédio/Florbela Espanca

Aqueles que me têm muito amor 
Não sabem o que sinto e o que sou... 
Não sabem que passou, um dia, a dor 
À minha porta e, nesse dia, entrou. 

E é desde então que eu sinto este pavor, 
Este frio que anda em mim, e que gelou 
O que de bom me deu Nosso Senhor! 
Se eu nem sei por onde ando e aonde vou! 

Sinto os passos de dor, essa cadência 
Que é já tortura infinda, que é demência! 
Que é já vontade doida de gritar! 

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio, 
A mesma angústia funda, sem remédio, 
Andando atrás de mim, sem me largar! 


Disponível em:http://www2.unifap.br/borges/files/2011/03/Po%C3%A9tica-Filosofia-Cultural-Florbela-Espanca.pdf. Acesso em:15 de abril de 2014. 


Naiana Freitas, 15 de abril de 2014. 

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