quarta-feira, 21 de maio de 2014

Poema velho, aniversário novo...


foto:Djsoul

[Passa-se tudo...]


Passa-se tudo: a casa, o pequeno comércio.
As meninas e os meninos na esquina,
O sujo da rua na viela cheia de chuva. .

Passa-se o corpo para o cemitério,
A galinha no quintal vizinho,
A neblina, fumaça e a seca maré.

Às vezes devagar, pelo ar, o tempo vai.
De relógio, cartola, sandália e saia.
Passando em nós o jovem-velho vai...

Nasce-se, passa-se, morre-se, passa-se.
A porcelana vida acomodada em armários,
Em caixas sem aviso “frágil”, no árido chão.

Na sala sentada à mesa, tem a velha.
De relógio analógico na mão,
Tem a menina e a mulher sem agulha.

Nasce-se, passa-se, morre-se, passa-se.
Passa-se tudo...
Menos a esvaecida e ensandecida alma minha.]


Naiana Freitas, 23 de maio de 2014.

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