domingo, 29 de junho de 2014

Citação_François Rabelais




"É melhor escrever sobre risos do que sobre  lágrimas, pois o riso é o apanágio do homem"

François Rabelais  




Naiana Freitas, 29 de junho de 2014.

sábado, 28 de junho de 2014

O mecanismo discursivo chamado SELEÇÃO Brasileira! (Viva a Seleção Chilena!)

Nenhuma dúvida, se já tive alguma, que “o brasileiro” é um ser parvo...  Uma seleção dessa não ganha Hexa, não! ...Mas, como SABEMOS nem tudo em uma Copa do mundo gira em torno de uma bola. Acho, que só torcedor que gira em torno de uma bola... Que o Brasil se alimente de outro símbolo nacional, porque futebol, só existe no discurso da tradição. Só.

 E, como ninguém nunca entenderá, como eu também nem quero mais entender, como é torcer pela Seleção... Que ninguém me faça responder a pergunta: você não é brasileira, não? Pois, para os perguntadores de plantão, eu prefiro dizer: é melhor nem comentar!!!!

 Sou uma pessoa exigente, logo uma torcedora exigente... Chilenos, vocês são BRAVOS! Por pouco não destronaram esse “mecanismo discursivo” chamado SELEÇÃO Brasileira!

SORTE a quem torcerá pela Canarinho,  jogando assim, só por sorte ou por outra coisa que esse time ganhará...Nesse caso, é melhor eu não comentar também!
Naiana Freitas, 28 de junho de 2014.

imagem: http://www.zazzle.com.br/bandeira_do_chile_adesivos-128648014572274889

domingo, 22 de junho de 2014

Ciência e esperança/ Carl Sagan

Eu fui criado num tempo de esperança. Queria ser cientista desde os primeiros dias de escola. O momento que marcou essa vontade foi quando entendi pela primeira vez que as estrelas são sóis poderosos, quando comecei a compreender que elas devem estar tremendamente distantes para surgirem como simples pontos de luz no céu. Nem sei se já conhecia a palavra “ciência” naquele tempo, mas queria de algum modo mergulhar em toda essa grandiosidade. Eu estava seduzido pelo esplendor do Universo, deslumbrado pela perspectiva de compreender como as coisas realmente funcionam, de ajudar a revelar mistérios profundos, de explorar novos mundos — talvez até literariamente. Tive a sorte de ver esse sonho em parte concretizado. Para mim, o fascínio da ciência continua tão atraente e novo quanto naquele dia, há mais de meio século, em que me mostraram as maravilhas da Feira Mundial de 1939.
Divulgar a ciência — tentar tornar os seus métodos e descobertas acessíveis aos que não são cientistas — é o passo que se segue natural e imediatamente. Não explicar a ciência me parece perverso. Quando alguém está apaixonado, quer contar a todo o mundo. Este livro é um testemunho pessoal de meu caso de amor com a ciência, que já dura toda uma vida.
Mas há outra razão. A ciência é mais do que um corpo de conhecimento, é um modo de pensar. Tenho um pressentimento sobre a América do Norte dos tempos de meus filhos ou de meus netos — quando os Estados Unidos serão uma economia de serviços e informações; quando quase todas as principais indústrias manufatureiras terão fugido para outros países; quando tremendos poderes tecnológicos estarão nas mãos de uns poucos, e nenhum representante do interesse público poderá sequer compreender de que se trata; quando as pessoas terão perdido a capacidade de estabelecer seus próprios compromissos ou questionar compreensivelmente os das autoridades; quando, agarrando os cristais e consultando nervosamente os horóscopos, com as nossas faculdades críticas em decadência, incapazes de distinguir entre o que nos dá prazer e o que é verdade, voltaremos a escorregar, quase sem notar, para a superstição e a escuridão.
O emburrecimento da América do Norte é muito evidente no lento declínio do conteúdo substantivo nos tão influentes meios de comunicação, nos trinta segundos de informações que fazem furor (que agora já são dez segundos ou menos), na programação de padrão nivelado por baixo, na apresentação crédula da pseudociência e da superstição, mas especialmente numa espécie de celebração da ignorância. No momento em que escrevo, o vídeo mais alugado na América do Norte é o filme Dumb and Dumber [Débi e Lóide]. Beavis and Buthead continuam populares (e influentes) entre os jovens que vêem televisão. A lição clara é que estudar e aprender — e não se trata apenas de ciência, mas de tudo o mais — é evitável, até indesejável.
Nós criamos uma civilização global em que os elementos mais cruciais — o transporte, as comunicações e todas as outras indústrias, a agricultura, a medicina, a educação, o entretenimento, a proteção ao meio ambiente e até a importante instituição democrática do voto — dependem profundamente da ciência e da tecnologia. Também criamos uma ordem em que quase ninguém compreende a ciência e a tecnologia. É uma receita para o desastre. Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém mais cedo ou mais tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa cara.
A candle in the dark é o título de um livro corajoso, baseado em grande parte na Bíblia, escrito por Thomas Ady e publicado em Londres em 1656, que ataca a caça às bruxas, então na ordem do dia, tachando-a de fraude “para enganar o povo”. Qualquer doença ou tempestade, qualquer coisa fora do comum, era atribuída à bruxaria. As bruxas devem existir, escreveu Ady, citando a argumentação dos “negociantes de bruxas”, “do contrário como é que essas coisas existem ou vêm acontecer?”. Durante grande parte de nossa história tínhamos tanto medo do mundo exterior, com seus perigos imprevisíveis, que aceitávamos de bom grado qualquer coisa que prometesse suavizar ou atenuar o terror por meio de explicações. A ciência é uma tentativa, em grande parte bem-sucedida, de compreender o mundo, de controlar as coisas, de ter domínio sobre nós mesmos, de seguir um rumo seguro. A microbiologia e a meteorologia explicam hoje o que há alguns séculos era considerado causa suficiente para queimar mulheres na fogueira.
Ady também alertava para o perigo de “as nações perecerem por falta de conhecimento”. Com frequência, a desgraça humana evitável é causada menos pela estupidez do que pela ignorância, sobretudo pela nossa ignorância de nós mesmos. Minha preocupação é que, especialmente com a proximidade do fim do milênio, a pseudociência e a superstição parecerão mais sedutoras a cada novo ano, o canto de sereia do irracional mais sonoro e atraente. Onde o escutamos antes? Sempre que nossos preconceitos étnicos ou nacionais são despertados, nos tempos de escassez, em meio a desafios à auto-estima ou à coragem nacional, quando sofremos com nosso diminuto lugar e finalidade no Cosmos, ou quando o fanatismo ferve ao nosso redor — então, hábitos de pensamento conhecidos de eras passadas procuram se apoderar dos controles.
A chama da vela escorre. Seu pequeno lago de luz tremula. A escuridão se avoluma. Os demônios começam a se agitar.


SAGAN, Carl. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo: Companhia da Letras, 1996. p. 38-40.

Naiana Freitas, 22 de junho de 2014.

"Eu cantarei de amor tão docemente"/ Luís de Camões


Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho e arte.

Disponível em: 

Naiana Freitas, 05 de janeiro de 2013.

P.S:  espero que este poema tenha sido escrito mesmo por Camões. Não tenho o livro para indagar.

Citação de Hermann Hesse

“[...] Diariamente reiniciava a silenciosa luta da gentileza, a guerra surda da paciência.”
Hermann Hesse

In: HESSE, Hermann. Sidarta. Tradução Herbert Caro. 9º edição. Rio de Janeiro: Civilização brasileira. p.99.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Os escritores mortos

Parece que tenho um profundo amor pelos escritores mortos....


Naiana Freitas, 19 junho de 2014

sábado, 14 de junho de 2014

A tua voz fala amorosa...(Fernando Pessoa)


Tão meiga fala que me esquece
Que é falsa a sua branda prosa.
Meu coração desentristece.
Sim, como a música sugere
O que na música não está,
Meu coração nada mais quer
Que a melodia que em ti há...
Amar-me? Quem o crera? Fala
Na mesma voz que nada diz
Se és uma música que embala.
Eu ouço, ignoro, e sou feliz.
Nem há felicidade falsa,
Enquanto dura é verdadeira.
Que importa o que a verdade exalça
Se sou feliz desta maneira?
22-1-1929

Poesias Inéditas (1919-1930). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Vitorino Nemésio e notas de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1956 (imp. 1990). 
 - 108.
Disponível em: http://arquivopessoa.net/textos/3610. acesso em: 14.jun.2014

Naiana Freitas, 14 de junho de 2014. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A minha indisposição Crônica a seleção Brasileira

A minha indisposição para torcer pela seleção brasileira é crônica. Adquiri essa ferida, na infância. De lá para cá, tal ferida só fez aumentar. Não há mais cura. O elo foi desfeito com essa unicidade, que se chama imaginário brasileiro, ou imaginário de brasileiro. Talvez, bem lá longe, sinta inveja do Brasil que festeja, celebra, ri vendo uma bola em um campo... Inveja de querer tomar para si, essa coisa tão pura que envolve o torcedor... Mas, minha cobiça é meio esquisita: Eu não quero ter para que os outros não tenham, não! Eles devem continuar neste estado de graça, não suportariam viver sem copa do mundo, ou sem “o Brasil da cabeça...” Eles viveriam sem infância. É a minha inveja não é boa, e há inveja boa? Não acredito, não. Só sei que minha inveja é resignada. Ela se acomoda bem, sem possuir.


Naiana Freitas, 12 de junho de 2014 

domingo, 8 de junho de 2014

Trecho da Crônica "Não entender" de Clarice Lispector

“[...] O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender o que eu não entendo.”


LISPECTOR, Clarice. Não entender. In: _______. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.p.172.



Naiana Freitas, 08 de junho 2014. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

No Brasil da “Copa do mundo"....

No Brasil da “copa do mundo"....
Minha indignação é tão grande, que em palavra alguma cabe....

 Preferi desenhar .


Naiana Freitas, 05 de junho de 2014. 

Meio Ambiente


Pergunto ao ciberespaço inteiro: até quando teremos meios para celebrar o ambiente? Penso que  em breve  as gerações futuras só conhecerão as árvores em museus...


Naiana Freitas, 05 de junho de 2014.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Languidez/Florbela Espanca

Tardes da minha terra, doce encanto,
Tardes duma pureza d´açucenas,
Tardes de sonho, as tardes de novenas,
Tardes de Portugal, as tardes d´ Anto,

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!
Horas benditas, leves como penas,
Horas de fumo e cinza, horas serenas,
Minhas horas de dor em que eu sou santo!

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar ...

E a minha boca tem uns beijos mudos ...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar ...

Livro de mágoas (1919)


ESPANCA ,Florbela. Sonetos. São Paulo: Martim Claret,2012.p.33.

Naiana Freitas, o2 de junho de 2014.