quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Não me abandone neste ano ímpar..

Neste último acontecimento escrito de 2014, não escreverei sobre as nossas famosas e seculares licitações entre o serviço público e as empresas particulares, nem sobre o aumento da tarifa do transporte soteropolitano, que só aumenta o preço e a frota sempre diminui…Não escreverei sobre nada disso... Deixa para o ano novo, que de novo só o nome tem, as minhas indignantes e solitárias revoltas... Hoje, vou escrever sobre a inspiração....
Uma pessoa desavisada pode pensar que para ter inspiração é necessário apenas um bom alçapão. Discordo, a inspiração demanda força mental, domesticação do corpo e energia criativa para alcançar um fim. Caso contrário, se apossa e se estagna, apresenta-se e se esvai, fugaz … A inspiração é como o exercício de respiração: inspira-se e expira-se... Engano, quem pensa que os trabalhos acadêmicos não exigem de mim criatividade, às vezes, acho que eles demandam mais isto, do que qualquer outra coisa besta que faça, porque preciso direcionar essa espécie de entusiasmo criador para um fim aparentemente nada criativo. Só aparentemente, porque ruminar os pensamentos dos outros e transformá-los em seus é um movimento pela busca do alimento...

Disseram-me estes dias que sou uma pessoa inspirada, eu não sou... Na verdade, sou uma perseguidora de inspiração, que por não torturá-la, tornei-me algoz de mim mesma…E, talvez por isto, ela me acompanhe quase sempre...Respeito demais as suas vontades...Ela, nem tanto as minhas...
Em 2015, não desejo ser um estorvo para esta apaziguadora e raivosa jovem- senhora que me envia para trabalhosos exercícios quase todos os dias...E, hoje beirando o fim de 2014, me encontro escrevendo um texto extenso, insensível e acadêmico...De repente, aparece a ousada inspiração me fazendo mudar de rumo. Acadêmico sim, insensível nunca...
 Inspiração, por favor, não me abandone neste ano ímpar...



Naiana Freitas, 31 de dezembro de 2014.

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